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Tailândia vai erguer edifício só para a cremação do rei

© Chaiwat Subprasom / Reuters

Mais de quatro meses depois da morte do rei Bhumibol Adulyadej, a Tailândia lançou hoje, com grande pompa, a obra do monumento para a cremação do monarca, que deve ter lugar no próximo outono.

A poucos metros do grande palácio, enquanto monges budistas ecoam mantras, os generais no poder na Tailândia, após o golpe de Estado de maio de 2014, presidiram à cerimónia durante a qual foram colocados os primeiros pilares do edifício.

A data de cremação do rei Bhumibol Adulyadej não foi ainda oficialmente divulgada mas, segundo fontes governamentais, deve ter lugar em outubro ou novembro, altura em que termina o ano de luto nacional.

Organizada no grande palácio de Sanam Luang, em pleno coração da capital, Banguecoque, a cremação real será um enorme evento. Apesar de o orçamento não ter sido divulgado publicamente, as autoridades preveem gastar milhões de euros por essa ocasião.

© Chaiwat Subprasom / Reuters

Bhumibol Adulyadej, de 88 anos, que morreu em outubro do ano passado, depois de uma longa doença, pondo fim a um reinado de sete décadas em que personificou a unidade do país que lhe valeu o título do mais antigo monarca em exercício, era profundamente venerado.

Bhumibol Adulyadej chegou ao poder em 9 de junho de 1946, depois da morte do irmão mais velho, o rei Ananda Mahidol, vítima de um acidente com arma de fogo, no palácio real de Banguecoque. O acidente ficou até hoje por explicar.

No início do reinado, já depois da abolição da monarquia absoluta no país, em 1932, o papel do rei foi ensombrado por uma série de líderes militares fortes.

Mas com o apoio de outros membros da família real e alguns generais, Bhumibol Adulyadej fortaleceu o papel da monarquia, com uma série de visitas às províncias mais remotas e através de numerosos projetos de desenvolvimento agrícola.

Apresentado como um semideus e benfeitor da nação, as suas imagens são omnipresentes no país e o culto da personalidade foi reforçado após o golpe de Estado de 22 de maio de 2014, realizado pelos militares em nome da defesa da monarquia.

A família real tailandesa está protegida por uma das leis sobre lesa-majestade mais severas do mundo, e nos últimos dois anos, os processos por crimes de ofensa à monarquia multiplicaram-se e as sanções aumentaram.

Sem qualquer prerrogativa constitucional, Bhumibol Adulyadej exerceu uma enorme autoridade moral e foi sempre visto como a única personalidade capaz de unir os tailandeses.

Oficialmente, o rei está acima da política, mas Bhumibol interveio em alturas de grande tensão - 1973, 1981 e 1992 -, assistindo a numerosos golpes militares, 19 constituições e ainda mais primeiros-ministros, para encontrar soluções não-violentas em algumas crises.

Nascido em Cambridge, Massachusetts (Estados Unidos), Bhumibol Adulyadej viveu e estudou na Suíça até final da Segunda Guerra Mundial.

Em 2006, recebeu do então secretário-geral da ONU Kofi Annan o primeiro prémio de mérito de Desenvolvimento Humano.

A Bhumibol Adulyadej sucedeu o seu filho Maha Vajiralongkorn que foi proclamado rei da Tailândia no início de dezembro.

Lusa