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Parasita que altera o nosso relógio interno também tem um relógio interno

O parasita responsável pela doença do sono, que interfere com o relógio biológico dos infetados, tem ele próprio um relógio interno, no qual pode residir a chave para futuros tratamentos, segundo uma investigação do Instituto de Medicina Molecular.

A equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) liderada por Luísa Figueiredo, que trabalhou em colaboração com o grupo de Joe Takahashi da Universidade Southwestern, de Dallas, nos Estados Unidos, publicou um artigo na revista 'Nature Microbiology' que "demonstrou pela primeira vez que o parasita responsável pela doença do sono, o 'Trypanosoma brucei', tem o seu próprio relógio interno".

"Este relógio permite ao parasita antecipar as alterações diurnas do meio que o rodeia, tornando-se assim mais virulento", explica um comunicado do IMM.

As características do parasita agora reveladas tornam possível que os futuros tratamentos tenham por base a cronoterapia, ou seja, a administração de fármacos a uma determinada hora do dia, considerada ideal para a obtenção de resultados.

"O artigo, publicado na revista Nature Microbiology, revela que os parasitas vão modificando ligeiramente a sua composição a as suas funções consoante a hora do dia. Estas alterações são altamente previsíveis e repetem-se todos os dias. Uma das consequências é que os parasitas são mais sensíveis ao tratamento com um certo fármaco durante a parte da tarde do que de manhã", refere o comunicado do IMM.

A doença do sono deve o seu nome ao facto de os pacientes infetados sofrerem interferências no seu relógio interno, ou ciclo circadiano, por ação do parasita, que tem ele próprio um ritmo que varia ao longo do dia, de acordo com as variações detetadas pelos investigadores, que sincronizaram os parasitas para a mesma hora do dia e a partir daí detetou os padrões de variação que sustentam a descoberta.

"A doença do sono é uma doença infecciosa que, na maioria dos casos, é fatal. É transmitida pela mosca 'tsetse' e, por isso, existe apenas na África subsariana. Não há vacinas contra desta doença e as formas de tratamento apresentam vários problemas, como serem difíceis de administrar e serem tóxicas. Atualmente há cerca de 7.000 casos por ano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pretende eliminar a doença até 2020", recorda o IMM.

Lusa

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