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ONU quer investigação às atrocidades no Sudão do Sul

© Siegfried Modola / Reuters

A comissão criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para vigiar o respeito das liberdades fundamentais no Sudão do Sul pediu esta terça-feira a ampliação do seu mandato para poder investigar as atrocidades sistemáticas cometidas no país.

Criada em março de 2016 para verificar as violações dos direitos humanos no Sudão do Sul após três anos de guerra civil, a comissão não recebeu um mandato específico nem os recursos para uma investigação aprofundada.

Dado o registo de atrocidades em massa e a constatação de que a situação continua a degradar-se, os três membros da comissão decidiram pedir o alargamento do mandato.

"A comissão recomenda o lançamento imediato de uma investigação internacional independente, sob os auspícios das Nações Unidas, sobre os crimes mais graves, incluindo os abusos sexuais, cometidos no Sudão do Sul desde dezembro de 2013", refere o relatório que a comissão apresentou esta terça-feira ao Conselho de Direitos Humanos.

O texto explicita que a comissão deve recolher e preservar provas de violações dos direitos humanos e de abusos da lei humanitária internacional, para as poder apresentar em qualquer instância judicial.

A comissão pede ainda a criação de um tribunal com juízes locais e internacionais para julgar e acabar com a impunidade dos culpados.

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Na apresentação do relatório, a presidente da comissão, Yasmin Sooka, destacou os abusos sexuais generalizados, indicando que os beligerantes impedem o acesso de ajuda humanitária aos civis e que as atrocidades são cometidas por todas as partes.

Sooka recordou que o conflito causou dois milhões de deslocados e 1,5 milhões de refugiados, bem como que cinco milhões de sudaneses passam fome.

Numa reação à apresentação, o ministro da Justiça sul-sudanês, Paulino Wanawilla Unango, acusou a comissão de "falar de um país diferente" do seu.

Disse ainda que a comissão não visitou todo o país e acusou-a de ignorar que metade do Sudão do Sul é controlada pelos rebeldes, tendo pedido "um relato justo e equilibrado".

Lusa

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