sicnot

Perfil

Mundo

Organizações internacionais defendem fim da detenção de crianças migrantes

© Mohammed Salem / Reuters

Várias organizações internacionais lançaram esta quarta-feira um apelo conjunto para que as crianças migrantes que viajam sozinhas não sejam detidas em centros sem condições e tratadas como um problema.

O apelo foi feito esta quarta-feira pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e pela organização não-governamental Cáritas Internacional por ocasião da 34.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a decorrer em Genebra até 24 de março.

Os conflitos, as situações de perseguição e os desastres naturais levaram ao deslocamento forçado de 32 milhões de crianças no mundo inteiro, segundo dados divulgados esta quarta-feira num evento promovido pela Cáritas e pela Santa Sé, à margem da sessão do conselho.

"As crianças não deveriam ser detidas porque a detenção nunca beneficia o menor. Devemos acabar com esta prática prejudicial e recordar que pedir asilo não é um ato ilegal", disse a diretora da seção de proteção internacional do ACNUR, Carol Batchelor.

A ONU defende a eliminação definitiva da detenção de crianças imigrantes e refugiadas, especialmente quando viajam sem a companhia de um familiar ou de algum responsável.

O diretor-geral da OIM, William Lacy, lamentou o facto de não existir um debate significativo sobre esta matéria e dos vários países envolvidos (de origem, de trânsito e de destino) não chegarem a um consenso para partilharem responsabilidades.

Em vez disso, "estão a ser construídos muros e estão a ser aplicadas medidas para impedir o fluxo migratório", criticou William Lacy.Para estas organizações, os Estados devem encarar estas crianças como uma oportunidade e não como um problema. E salientaram a importância destes menores serem tratados por aquilo que são, ou seja, pessoas inocentes que merecem um tratamento especial.

As organizações destacaram o trabalho desenvolvido pela Cáritas em Itália, país que recebeu no ano passado mais de 25 mil crianças não acompanhadas (o dobro face a 2015) e que conta com centros especializados para menores. As crianças são recebidas por funcionários dos serviços sociais, psicólogos, mediadores e voluntários.

Uma representante do Centro de Investigação da Cáritas em Roma, Elisa Manna, referiu que o maior desafio das organizações humanitárias que lidam com migrantes menores não acompanhados "é conseguir que as crianças deixem o papel de vítima e assumam um papel ativo" na sua própria vida.

A maioria dos menores chega a Itália com uma relativa boa condição física, mas com profundas consequências psicológicas (como depressão, stress pós-traumático, distúrbios do sono ou ansiedade) que resultam das experiências traumáticas que vivem em cenários de guerra e do percurso que fazem até chegarem à Europa.

No mesmo evento, a Santa Sé, representada pelo padre Fabio Baggio, expressou a vontade do papa Francisco de "caminhar ao lado das crianças", destacando que o Vaticano está a promover uma rede de ajuda dentro das dioceses de todo o mundo para apoiar os migrantes.

"Estamos a trabalhar para que as igrejas locais sejam ativas na ajuda aos imigrantes e refugiados, guiando-as com orientações sobre boas práticas para que saibam como servir melhor", concluiu Fabio Baggio.

Lusa

  • Luís Pina indiciado por quatro crimes de tentativa de homicídio
    1:41
  • Líderes europeus unidos para iniciar saída do Reino Unido
    2:08
  • 100 dias de Trump em 04'30''
    4:33

    Pequenas grandes histórias

    Donald Trump tomou posse como 45º Presidente dos EUA dia 20 de janeiro de 2017, faz este sábado, 100 dias. Prometeu grandes mudanças, mas os planos acabaram por chocar de frente com a realidade e a burocracia de Washington, como foi o caso do Obamacare. Foi a primeira ordem executiva que assinou, no dia em que tomou posse, mas a revogação está longe de acontecer.

  • A SIC visitou os bastidores do Santuário de Fátima
    7:43
  • Ministro "mais descansado" com relatório sobre Almaraz, ambientalistas contestam
    2:01

    País

    O ministro do Ambiente diz estar mais descansado depois de conhecer o relatório técnico que considera o armazém de resíduos nucleares em Almaraz uma solução adequada. Já as associações ambientalistas e os partidos criticam o parecer positivo à construção e querem ouvir os ministros do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.

  • Marcelo recebido por multidão na Ovibeja
    2:52