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Cambodja e UNICEF querem acabar com orfanatos fictícios

Thomas White / Reuters

A UNICEF está a trabalhar com o Governo do Cambodja para pôr fim aos orfanatos falsos, onde os pais deixam as crianças para atrair doações de turistas ou adoções ilegais.

Num dos países mais pobres do mundo, cerca de 17% dos cambodjanos vivem abaixo do limiar da pobreza, o que leva muitas famílias a entregar os filhos aos orfanatos na esperança de serem adotados por turistas. Nos últimos anos têm aparecido numerosos destes orfanatos falsos e sem licença, suspeitos de negligência e abusos contra as crianças.

Apesar dos apelos de assistentes sociais e organizações não governamentais para que os estrangeiros não recorram a estes meios para adotar crianças, o Governo suspeita que há 16579 crianças, em que pelo menos 85% não são órfãs, em 406 orfanatos pelo país e que estão a ser vítimas de exploração infantil.

"Há imensos abusos dentro dos orfanatos", admitiu o ministro dos Assuntos Sociais, Veteranos e Jovens, Vong Sauth, citado pela agência Reuters.

O Governo cabodjano, em parceria com a UNICEF, pretende devolver às famílias pelo menos 3500 que não são órfãs até ao próximo ano.

"As crianças que vivem em instituições não regulamentadas e sem inspeções correm mais risco de negligência, de abusos físicos e sexuais e de tráfico", alertou a representante da UNICEF no Cambodja, Debora Comini, apelando aos turistas para não darem doações a estes orfanatos ilegais.

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