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Hipnose e água benta para curar a homossexualidade

Cris Toala Olivares

A homossexualidade continua a ser um tema controverso na Rússia. A mais recente polémica foi a oferta de tratamentos para homossexuais, com água benta e hipnose. Um psicoterapeuta revelou as três fases do seu "tratamento", que já "curou" 78 homossexuais; e um padre contou como conseguia mostrar às pessoas que a homossexualidade é um pecado. Há ainda o testemunho de uma criança que foi obrigada a ser "curada".

Após as notícias de torturas e perseguições a homossexuais na Chechénia - uma república russa -, surgem agora testemunhos de um alegado 'tratamento' para esta orientação sexual.

Segundo a BBC, os tratamentos com psicoterapeutas e padres está a ser oferecido a homossexuais, de modo a "curarem" aquilo a que alguns acreditam ser uma doença.

A homossexualidade era considerada um crime na Rússia até 1993 e continua a ser considerada uma doença mental até 1999. Contudo, a homofobia é algo bastante comum, não só na Chechénia, mas também no resto do país.

Globalmente, os cientistas não reconhecem nenhum "tratamento" para a homossexualidade como eficaz, ou até mesmo necessário.

Stringer Russia

Hipnose como 'tratamento'

Numa entrevista ao jornal inglês, Yan Goland disse que já tinha 'curado' 78 homossexuais e oito transsexuais, usando um método desenvolvido ainda durante a União Soviética, pelo seu professor, Nikolai Ivanov.

O psicoterapeuta contou que o 'tratamento' durou entre oito a 18 meses, mas os transexuais demoraram ainda mais.

"Quando os pacientes vêm ter comigo, eu mostro-lhes outros casos: como eram e como são agora. O paciente enche-se de esperança em como o posso ajudar e percebe que precisa de ser tratado", disse Yan Goland.

Numa primeira fase, o psicoterapeuta procura "extinguir" da atração pelo mesmo sexo. As sessões de hipnose podem durar até oito horas e, o homem usa ainda uma mistura de terapias que influenciam os sonhos dos pacientes.

A segunda fase passe por forjar uma atração por alguém do sexo oposto. Este psicoterapeuta pede aos seus pacientes masculinos para objetivar sexualmente as mulheres à sua volta.

A última fase é ter relações sexuais com alguém do sexo oposto.

Aviso de médico

Contudo, nem todos os médicos na Rússia aceitam este método como um tratamento. Aliás, os médicos mais próximos da medicina ocidental defendem que a homossexualidade não pode ser tratada.

"Não se pode mudar de orientação sexual", defendeu o psicólogo Pavel Sobolevsky, que trabalha com pacientes da comunidade LGBT. São exatamente essas palavras que este psicólogo diz aos seus pacientes que o procuram para 'tratar' a sua homossexualidade.

O médico adianta ainda que as tentativas de mudar de orientação podem ser bastante prejudiciais.

São Petersburgo

São Petersburgo

MAXIM ZMEYEV

Religião como 'tratamento'

Várias organizações religiosas estão também neste ramo. Algumas recusam falar sobre os seus procedimentos, mas o pastor Yevgeny Peresvetov falou com a BBC sobre o assunto.

O padre lidera uma organização Protestante que promete ajudar as pessoas gay a "rejeitar" a sua sexualidade.

A organização tem até uma página no Youtube com vídeos de testemunhos, que alegam ter "libertando-se do pecado, livrando-se da homossexualidade".

Este padre vê a homossexualidade como uma droga.

Padre Yevgeny Peresvetov

Padre Yevgeny Peresvetov

Instagram

Crianças forçadas ao 'tratamento'

Algumas famílias russas viraram-se para instituições religiosas para "curar" as crianças, que se assumiram como gay.

Maria tem 27 anos e foi levada para uma igreja contra a sua vontade, de modo a 'curar' a sua homossexualidade quando tinha 13 anos. Nessa altura, foi-lhe atirada água benta enquanto outros entoavam orações.

"Eles encheram-se de água benta e obrigaram-me a bebê-la. Por vezes, batiam-me com cordas."

Protesto contra a discriminação e a violência contra os homossexuais, na Chechénia

Protesto contra a discriminação e a violência contra os homossexuais, na Chechénia

Carlos Jasso

A abertura vista nos países ocidentais não chegou a todo o mundo. Nos dias de hoje, ainda há pessoas que se têm de esconder pela sua orientação ou identidade sexual.

Ainda há quem acredite que a homossexualidade seja algo para ser curado. Ainda há quem defende que as pessoas trangénero 'sofrem' de uma doença mental.

As notícias mostram as torturas de homossexuais na Chechénia, que já terá causado pelo menos três mortos. Os chefes da diplomacia de vários países europeus já expressaram até a sua preocupação perante estas perseguições. Aliás, o Parlamento português condenou no mês passado as perseguições à população LGBT na Chechénia.

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