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Antirretrovirais aumentaram em 10 anos a esperança de vida para doentes com VIH

Nacho Doce

A esperança de vida para os doentes de VIH aumentou cerca de dez anos na Europa e América desde a introdução dos medicamentos antiretrovirais nos anos 90, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista médica Lancet HIV.

Os autores do estudo sugerem que a esperança de vida de uma pessoa com 20 anos que tenha sido tratada a partir de 2008 e que tenha visto o tratamento resultar no prazo de um ano pode aumentar dez anos para 73, no caso dos homens, e 76, para as mulheres.

Para o principal autor do artigo, Adam Trickey, da universidade britânica de Bristol, isso significa que os tratamentos, acompanhamento médico e prevenção resultam, mas afirmou que são "precisos mais esforços para que a esperança de vida seja plenamente equiparada à da população em geral.

Os investigadores consideram que este resultado se deve a terapia antirretroviral menos tóxica, com mais escolha de medicamentos para o caso de haver resistência do vírus, e controlo de doenças associadas, como as cardíacas e o cancro.

"A terapia antirretroviral combinada é usada há 20 anos para tratar o HIV, mas medicamentos mais recentes têm menos efeitos secundários, envolvem menos comprimidos, previnem melhor a replicação do vírus e é mais difícil o vírus resistir-lhe", afirmou Adam Trickey.

Esta forma de terapia generalizou-se a partir de 1996 e implica usar três ou mais drogas que impedem o vírus HIV de se replicar, para prevenir os estragos no sistema imunitário causados pela infeção.

No estudo foram usados dados sobre 88.504 pessoas com HIV que começaram a ser tratados com medicamentos antirretrovirais entre 1996 e 2010 compilados em 18 outros estudos europeus e norte-americanos.

O número de mortes tem vindo a diminuir desde que a terapia se instituiu como tratamento principal aplicado logo a seguir ao diagnóstico positivo.

Lusa