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Mais de 70 civis presos por tribunais militares na Venezuela

Marco Bello

Setenta e três civis, de um universo de 137 detidos no âmbito dos protestos antigovernamentais na Venezuela, presentes a tribunais militares foram privados de liberdade, denunciou na terça-feira a organização Fórum Penal Venezuelano (FPV).

O diretor executivo da organização não-governamental, Alfredo Romero, afirmou também na Assembleia Nacional (AN, parlamento), onde a oposição detém maioria, que ao longo dos últimos dias 118 pessoas do estado de Carabobo (centro) foram encaminhadas para tribunais militares instalados na Guarda Nacional (polícia militarizada).

Segundo o mesmo responsável, só na terça-feira foram presentes a este tipo de instância 19 estudantes que protestavam no estado de Falcón (oeste).

"No caso particular de Carabobo verificámos que, durante as audiências, as pessoas estão armadas", afirmou, referindo a presença de "pelo menos 11 militares armados", o que "viola o direito à defesa e intimida os detidos". "Evidentemente ninguém prestou declarações", apontou.

Alfredo Romero afirmou que FPV considerou que na maioria das situações "não existe qualquer tipo de prova para poder acusar alguém", dando como exemplo o caso dos presumíveis envolvidos nos saques registados, na semana passada, naquele estado central da Venezuela.

O também advogado explicou que nestes casos se "criou uma narrativa" de que as pessoas detidas no cenário de saques "estavam alegadamente a atacar os guardas nacionais" e também se responsabilizaram "supostos dirigentes da oposição" por causarem estas situações.

"A Procuradoria-Geral da República tem estas evidências todas, porque foram apresentadas em cada uma das denúncias interpostas nos tribunais", afirmou, apelando ao parlamento para que convide a procuradora, Luisa Ortega, a falar dessa situação na Assembleia Nacional.Romero reiterou que na onda de manifestações antigovernamentais, que se intensificou no início de abril, a repressão por parte das forças de segurança tem aumentado "não apenas quantitativamente mas também qualitativamente".

"Não se individualizam as pessoas. Detém-se de uma forma generalizada qualquer uma que esteja em torno de um protesto ou manifestação", apontou, acrescentando que estas detenções são acompanhadas de "maus tratos cruéis e desumanos".

"Em Monagas há o caso do professor Joel Bellorín, cruelmente torturado e atualmente privado de liberdade. Torturaram-no para exigir que confessasse contra dirigentes da oposição", afirmou Romero.

Os protestos contra o Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, resvalaram, por diversas vezes, em violentos confrontos, que resultaram em 37 mortos, de acordo com dados oficiais.

Trata-se de um número inferior comparativamente ao balanço divulgado na terça-feira pela organização não-governamental Observatório Venezuelano de Conflituosidade Social (OVSC), segundo o qual pelo menos 44 pessoas morreram na sequência de quase mil protestos realizados entre 1 de abril e 7 de maio.

Lusa

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