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Rajoy pede para ser ouvido por videoconferência como testemunha em caso de corrupção

Thomas Peter

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pediu para prestar declarações por videoconferência, em 26 ou 27 de julho, como testemunha no processo "Gurtel" que investiga uma vasta rede de corrupção que envolve vários responsáveis do Partido Popular (PP), no poder.

A agência Efe teve hoje acesso a um requerimento enviado pelo gabinete do chefe do Governo espanhol à Audiência Nacional onde são propostas essas datas, consideradas as "mais adequadas", tendo em consideração a agenda de Rajoy.

Há precisamente um mês, esta instância judicial especializada nos casos político-financeiros e de terrorismo decidiu que Mariano Rajoy devia ser ouvido e juntar-se assim a cerca de 300 testemunhas que já foram citadas para ir ao tribunal que está a investigar o primeiro período do caso "Gurtel" (1999-2005).

Segundo a acusação, a rede de corruptos era dirigida pelo homem de negócios Francisco Correa, que subornava funcionários públicos e responsáveis políticos eleitos para ajudar certas empresas "amigas" a ganharem contratos de direito público.

Este inquérito judicial implicou a demissão da ministra da Saúde, Ana Mato, no final de 2014, suspeita de ter beneficiado do dinheiro obtido ilegalmente pelo seu ex-marido, Jesús Sepúlveda, o ex-presidente da câmara municipal de Pozuelo.

Um antigo tesoureiro do PP, Luis Barcenas, é uma figura central no esquema, tendo o tribunal insistido para que explicasse a origem da sua fortuna de 48 milhões de euros, que está depositada numa conta na Suíça.

Barcenas admitiu em janeiro passado que o PP teria "recursos que não apareciam na sua contabilidade oficial", alimentados por doações feitas por homens de negócios.

Por seu lado, Francisco Correa revelou que os empresários que ganhavam certos concursos públicos entregavam "dois a três por cento" do montante.

Uma série de escândalos de corrupção que envolveram membros do PP (direita) contribuíram para que o partido perdesse em dezembro de 2015 a maioria absoluta que tinha no parlamento.

Mariano Rajoy é presidente do PP desde 2004 e chefe do Governo desde 2011.

A lei espanhola determina que o chefe do Governo tenha de prestar declarações ao tribunal de uma forma oral, mas permite que o faça por videoconferência "por razões de utilidade, de segurança ou de ordem pública".

Mariano Rajoy é o primeiro chefe de Governo de Espanha a ser chamado a testemunhar em tribunal.

Lusa

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