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China endurece postura com Taiwan após Panamá romper laços com Taipé

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen

Tyrone Siu

A China reiterou, hoje, o endurecer da postura face a Taiwan, depois de o Panamá ter reconhecido Pequim como a única capital de toda a China, rompendo os laços diplomáticos com Taipé.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Governo chinês, Ma Xiaoguang, afirmou que não será permitido negar que Taiwan faz parte da China. "Apenas reconhecendo que os dois lados fazem parte da China podem as relações, entre ambos, retornar à direção correta do desenvolvimento pacífico", disse.

A decisão do Panamá, um dos aliados de Taiwan com maior peso económico, anunciada na segunda-feira, foi um sinal claro de que Pequim quer reforçar a pressão sobre a ilha, face à postura pró-independência da Presidente Tsai Ing-wen.

O número de países que reconhece Taiwan caiu consideravelmente nas últimas décadas, tendo permanecido estável apenas durante a governação de Ma Ying-jeou, nos últimos oito anos, quando as relações entre Pequim e Taipé entraram num período de desanuviamento sem precedentes. Esse período culminou numa cimeira entre Ma e o Presidente chinês, Xi Jinping, realizada em Singapura.

Em janeiro de 2016, Tsai venceu as eleições pelo Partido Democrático Progressista (PDP), que tradicionalmente defende a independência da ilha e o afastamento da China comunista.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a "reunificação pacífica", mas ameaça usar a força caso a ilha declare independência.

Já Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China.

Após a decisão do Panamá, Taipé fica com vinte aliados diplomáticos, entre os quais 11 estão na América Latina e Caribe.

Em dezembro passado, São Tomé e Príncipe cortou, também, relações com a ilha e passou a reconhecer Pequim.

Analistas chineses consideram que a China comunista vai continuar a exercer pressão económica e diplomática, até que Tsai adira ao "consenso de 1992".

Trata-se de um entendimento tácito alcançado, em 1992, entre a China e Taiwan, na altura com um Governo liderado pelo Kuomintang (partido nacionalista), de que só existe uma China, deixando aos dois lados uma interpretação livre sobre o que isso significa.

Tsai Ing-wen atribuiu a rutura dos laços diplomáticos com o Panamá à "pressão da China" e advertiu Pequim de que "não cederá perante pressões e intimidações".

"Pequim nunca poderá negar a existência da República da China (nome oficial de Taiwan), nem o seu valor para a sociedade internacional ou a sua soberania", disse.

"Em nome dos 23 milhões de taiwaneses, digo a Pequim que não cederei perante pressões e intimidações", acrescentou.

Lusa

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