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Tuberculose mata uma pessoa a cada 18 segundos no mundo

A tuberculose causou 1,8 milhões de óbitos em 2015, o que representa uma morte cada 18 segundos causada por uma doença tratável e evitável na qual duas organizações internacionais pediram hoje ao G20 para se focar mais.

No terceiro relatório hoje publicado, as organizações Médicos Sem Fronteiras e Stop TB (Tuberculosis) Partnership frisam que, em 2015, existiam 10,4 milhões de pessoas com tuberculose e que 54% delas vivem em países que integram o G20, instituição que se reúne dentro de dois dias na Alemanha.

No documento, em que surgem dois países lusófonos - Brasil e Moçambique -, é relevado que a tuberculose é a doença infecciosa mais mortal do mundo, apesar de ser tratável e evitável.

O relatório examina as políticas e práticas para a tuberculose em 29 países - que correspondem a 82% da carga global da doença, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e mostra que os países podem fazer mais para prevenir, diagnosticar e tratar pessoas afetadas pela tuberculose.

Intitulado "Out of Step" (Descompasso, numa tradução livre), o documento dos MSF e da Stop TB Partnership considera que a maioria dos países está "atrasada" na implementação das novas formas de terapia, "menos morosas e menos dispendiosas".

"Na cimeira do G20, os governos devem incluir a tuberculose nos seus esforços para lidar com o problema mais amplo das infeções resistentes a medicamento", apelam.

A diretora executiva da Stop TB Partnership, Lucica Ditiu, lembrou que a tuberculose mata há muito tempo, salientando que há já novas ferramentas para a enfrentar e que muitos países não estão a fazer uso dos avanços, razão pela qual as pessoas estão a morrer.

"Pedimos aos líderes do G20 que acordem e façam alguma coisa para parar as mortes desnecessárias e a disseminação da tuberculose, incluindo na forma resistente a medicamentos", acrescentou, dando como exemplo a "enorme lacuna dos diagnósticos".

As duas instituições lembram que está disponível já o Xpert MTB/RIF, um teste molecular rápido para diagnosticar e testar a resistência aos medicamentos de primeira linha contra a doença, utilizado apenas em sete dos 29 países analisados.

"Isso significa que a maioria das pessoas nos 29 países ainda é examinada com um método que não deteta muitos casos, ou que exige uma espera de vários meses para confirmar a doença. Essa lacuna explica por que tanta gente continua sem diagnóstico e tratamento", frisa-se no documento.

Em 2015, prossegue-se, com base na diferença entre a incidência estimada de tuberculose e os casos notificados, estimou-se que 4,3 milhões de pessoas com a doença nunca foram diagnosticadas.

"Como se pode esperar que as pessoas sejam tratadas se elas nem sequer conseguem ser diagnosticadas?", perguntou Issac Chikwanha, assessor médico para o Vírus VIH e Tuberculose da Campanha de Acesso a Medicamentos da MSF.

"Se os países não fizerem mais para garantir que as pessoas tenham acesso a exames, será impossível reduzir as mortes evitáveis por tuberculose", advertiu, lembrando que a hospitalização por períodos extensos pode limitar a capacidade da pessoa de ter uma vida normal e deve ser reservada somente para os pacientes com tuberculose resistente em estado mais grave.

O relatório mostrou que 34% dos países analisados ainda exigem longas internações para o tratamento da tuberculose resistente, com os pacientes com tuberculose mais resistente a serem obrigados a tomar mais de 15 mil comprimidos num período de dois anos, algo que, como os novos métodos de diagnóstico e tratamento pode ser abreviado para nove meses.

Apenas 13 dos países analisados disponibilizaram tratamentos mais curtos, lê-se no relatório.

"O relógio está a contar rapidamente porque a cada 18 segundos uma pessoa morre de tuberculose. Tem de se mudar", acrescenta-se no documento, que dá também conta de que o número de pessoas diagnosticadas nos últimos quatro anos estagnou, enquanto o de mortes aumentou em vez de diminuir.

Os governos do G20 são os maiores contribuintes da resposta global à tuberculose, com mais de 1.600 milhões de dólares doados para o Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária em 2016, pelo que se torna agora necessário mais recursos para mais diagnósticos, melhores tratamentos e redução de mortes.

Pela primeira vez, a saúde global está incluída na agenda da cimeira do G20, que acontecerá sexta-feira e sábado, em Hamburgo.

A Declaração dos Ministros da Saúde feita durante a preparação da reunião reconheceu que a tuberculose deve estar no centro dos esforços contra as infeções resistentes a medicamentos.

Lusa

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