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Especialista em diabetes defende que homem moderno precisa de menos de comida

Enrique Castro-Mendivil

O homem moderno precisa cada vez menos de comida, porque não tem a mesma exigência em termos físicos do que os antigos, disse à Lusa especialista indiano em transplantes do pâncreas, Raja Kandaswamy, esta sexta-feira no Porto.

"O homem moderno precisa cada vez menos de comida, porque não tem a mesma exigência em termos físicos do que os antigos. Tornámo-nos tecnologicamente demasiado dependentes, porque já não temos o mesmo nível de consumo de calorias que antes, mas ainda assim continuamos a consumi-las", argumentou Raja Kandaswamy.

O especialista, líder do maior centro de transplante do pâncreas do mundo, na University of Minnesota Medical Center, em Mineapolis, nos Estados Unidos da América, foi convidado para falar sobre a sua área no HEBIPA Meeting 2017, um encontro a decorrer esta sexta-feira e sábado no Porto e organizado pela Unidade Hepatobiliar e Pancreática do Centro Hospitalar do Porto.

Sobre a evolução da doença no planeta, explicou-o de forma simples: "há quem chame à diabetes a doença dos ricos e como o mundo está a tornar-se cada vez mais rico, a doença acompanha-o, porque cada vez se faz mais exercício em frente à televisão".

Pioneiro dos transplantes do pâncreas nos Estados Unidos da América, este especialista indiano considerou "encorajador verificar que as transplantações do pâncreas têm vindo a aumentar fora dos Estados Unidos nos últimos 15 anos".

"Os países líderes nesse particular são o Reino Unido e o Brasil, depois a Coreia do Sul e a Itália, com Portugal a surgir no Top 7 dos países com o melhor registo por número de habitantes, o que é impressionante", elogiou Raja Kandaswamy.

Numa curta viagem pelos últimos 51 anos na história dos transplantes, Kandaswamy lembrou que quando em 1966 começaram os transplantes do pâncreas "nos primeiros 30 anos a taxa de sucesso foi muito baixa".

"Depois disso, a cada cinco anos surgiram melhoramentos e, aqui chegados, temos um registo superior a 90% de casos de sucesso nos Estados Unidos", revelou à Lusa.

E prosseguiu: "não há razões para pensar que nos outros países os números sejam muito mais baixos. Veja-se o caso da Itália, onde essa percentagem é ainda melhor, ainda que feita num só centro. E embora no que concerne ao resto do mundo eu não tenha números reais, a verdade é que quem se interessa pelo problema do pâncreas tem tido muito bons resultados".

Das inovações verificadas ao nível das cirurgias destacou "o uso do robô para os transplantes", uma técnica já praticada em Itália e nos EUA e que, "apesar de ser uma inovação recente, os registos são muito encorajadores, até porque se trata de uma técnica pouco invasiva, tipo uma laparoscopia".

Lamentando a "falta de tempo para visitar o Centro Hospitalar do Porto", a conversa com a responsável pelo serviço Donzília Silva fê-lo perceber que "o programa de transplantes do pâncreas parece ser de grande nível".

"Até à data fizeram entre 200 e 300 transplantes e com uma alta percentagem de sucesso. Trata-se, sem dúvida, de um dos melhores centros hospitalares da Europa", disse o pioneiro na área.

E com a diabete tipo 2 a "aumentar muito nos Estados Unidos, em comparação com outros países", é na China que encontra o próximo grande foco de preocupação.

"A China é a última vítima da indústria da 'fast food' e há cada vez mais obesos no país", denunciou.

Lusa

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