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Furacões "femininos" são mais mortais que os "masculinos"

Furacão Irma fotografado a partir do espaço a 4 de setembro de 2017

NOAA/NASA Goddard MODIS Rapid Response Team

O sexismo, discriminação com base no género, também afeta os furacões, afirmam os cientistas. Com base em dados e experiências, garantem que os furacões com nomes de mulher provocam mais estragos e mortes que os que têm nome de homem porque as pessoas não os levam tão a sério.

Irma, um furacão na categoria máxima de 5 com ventos que podem chegar aos 300 km/h, é considerado um dos furacões mais intensos desde que há registos. Mas mesmo assim, muitos não lhe dão "crédito", não se preparando devidamente para diminuir os riscos e consequências da sua passagem.

"Os furacões com nomes femininos provocam mais mortes porque induzem as pessoas a considerá-los um risco menor e a não se prepararem devidamente", revela um grupo de investigadores na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Por outras palavras, um furacão que se chame "Priscilla" não é levado tão a sério quanto um que se chame "Bruno", que desencadeará mais receios e fará com que as pessoas fujam.

Os investigadores apoiam esta teoria com os números de mortos dos furacões que atingiram os EUA entre 1950 e 2012 bem como em experiências realizadas mais recentemente para analisar as reacções das pessoas à menção de furacões com nomes femininos e masculinos.

Nas tempestades mais intensas, consoante o género do nome, o número de mortos é maior quando ao furacão foi dado um nome feminino, afirmam os cientistas.

Dúvidas sobre esta conclusão

Jeff Lazo, do National Centre for Atmospheric Research, não concorda com esta teoria dizendo que o padrão deve ser o resultado de um acaso estatístico, avança o National Geographic.

Até 1979, todos os furacões tinham nomes de mulher - o que quer dizer que, durante 29 anos, o estudo não contempla furacões "masculinos". O que é significativo porque, ao longo do tempo, os furacões tem feito menos mortos.

"Pode acontecer que mais pessoas morreram à passagem de furacões com nomes femininos simplesmente porque morriam mais pessoas em média antes de os furacões começarem a ter nomes masculinos", sublinha Jeff Lazo.

Experiências sobre reacções das pessoas

Para testar a hipótese de que as pessoas não levam tão a sério os furacões com nomes de mulher, os cientistas realizaram algumas experiências.

Numa delas, os participantes tinham de adivinhar a intensidade de 10 furacões hipotéticos - 5 com nome feminino e 5 com nome masculino. Todos estes último foram considerados mais intensos, independentemente do género do participante.

Noutro teste, os participantes tinham de avaliar os riscos de um hipotético furacão Alexandre e de outro furacão Alexandra. Embora tenha sido dito que nada se sabia sobre quais as intensidades, todos os participantes consideraram o Alexandre muito mais perigoso.

Numa terceira experiência, perante os hipotéticos furacões Christopher e Christina, os participantes tomaram muito mais precauções ou fugiram de suas casas à chegada do furacão masculino.

Porquê dar nomes a furacões

Atribuir nomes fáceis de decorar reduzi as hipóteses de confusões quando há mais do que uma tempestade ao mesmo tempo, explica o National Hurricane Center.

Durante décadas foram dados sempre nomes femininos devido à característica de imprevisibilidade, diz o estudo citando a "Enciclopédia de Furacões, Tufões e Ciclones". "Esta prática foi abandonada no final de 1970 com o aumento da consciência social contra o sexismo, pelo que começou a ser adoptado um sistema alternado de feminino/masculino", revela o relatório.

A lista anual de furacões, estabelecida pela agência da ONU para a meteorologia, está ordenada alfabeticamente, alternado nome feminino com masculino. A lista repete-se de seis em seis anos e só é retirado um nome da lista quando esse furacão teve consequências devastadoras.

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