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Noruega vota hoje em legislativas muito disputadas

Reuters Staff

A Noruega realiza hoje eleições legislativas, com as sondagens a preverem uma votação arriscada para a coligação de direita no poder, que pode traduzir-se numa disputa à décima entre conservadores e trabalhistas.

Desde que assumiu funções em 2013, o Governo de coligação entre conservadores e populistas liderado pela primeira-ministra Erna Solberg enfrentou uma série de crises. Da crise migratória de 2015, com um número recorde de 31.000 pedidos de asilo, num país de 5,3 milhões de habitantes, à crise do preço do petróleo de 2014, que levou à maior queda de preços em 30 anos do recurso que é o motor da economia norueguesa.

O afluxo de refugiados à Europa reduziu-se consideravelmente desde então e o preço do petróleo voltou a subir, o que, aliado ao recurso ao fundo soberano da Noruega, permitiu o regresso da economia ao crescimento. Segundo analistas, esta evolução privou a oposição de um ângulo forte de ataque ao Governo.

A questão da adesão à União Europeia, recusada pelos noruegueses em 1972 e em 1994, esteve completamente afastada da campanha, apesar de alguns partidos defenderem, na sequência do Brexit, uma renegociação dos laços com Bruxelas.

A Noruega pertence ao Espaço Económico Europeu (EEE) e tem acesso ao mercado comum, sujeitando-se em contrapartida à maioria das regulamentações europeias, em cuja definição não participa.

"Agora que a economia está melhor, é importante não mudar o rumo", afirmou a primeira-ministra, 56 anos, candidata à reeleição.

O líder trabalhista, Jonas Gahr Store, apresenta-se como garante da defesa dos menos privilegiados e acusa a direita de ter tornado o país "mais frio", prometendo reverter a redução de impostos para "os mais ricos" e reforçar o Estado Providência.

O duelo clássico entre o centro-direita e o centro-esquerda vai ser arbitrado pelos pequenos partidos. Sem maioria no parlamento, o Governo cessante tem, até agora, contado com o apoio do partido democrata-cristão e com o partido liberal para aprovar as leis.

À esquerda, além dos trabalhistas, o partido centrista (agrário), a esquerda socialista e uma pequena formação marxista querem acabar com esse acordo. Apenas o partido ecologista MDG se apresenta como independente e disposto a negociar com os dois blocos.

Lusa

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