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Indonésia envia 34 toneladas de ajuda para refugiados rohingya no Bangladesh

Altaf Qadri

Quatro aviões Hércules, com 34 toneladas de ajuda para os refugiados da minoria muçulmana rohingya, partiram hoje de uma base aérea de Jacarta, com destino ao Bangladesh.

O Presidente da Indonésia, Joko "Jokowi" Widodo, pediu o fim imediato da violência no estado de Rakhine, no oeste da Birmânia, prometendo significativa ajuda humanitária.

Widodo e outros membros do Governo, como o ministro dos Negócios Estrangeiros e o chefe das Forças Armadas, estiveram presentes na base aérea de Halim.

O porta-voz presidencial Johan Budi afirmou que os aviões carregam arroz, refeições instantâneas, kits familiares, tendas, cobertores e tanques de água. Trata-se do primeiro lote de ajuda da Indonésia, na sequência de discussões com Birmânia e Bangladesh, indicou.

Pelo menos 370 mil rohingya cruzaram a fronteira para o Bangladesh desde 25 de agosto, altura em que a violência escalou após uma ofensiva militar lançada na sequência do ataque, nesse dia, contra três dezenas de postos da polícia efetuado pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado Rohingya, que defende os direitos daquela minoria muçulmana.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou na segunda-feira que a forma como a Birmânia está a tratar a minoria muçulmana rohingya aparenta "um exemplo clássico de limpeza étnica".

"A Birmânia tem recusado o acesso dos inspetores [da ONU] especializados em direitos humanos. A avaliação atualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica", disse Zeid Ra'ad Al Hussein, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.

A líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi, tem sido duramente criticada por defender a atuação do exército em relação aos rohingya por múltiplas personalidades, entre as quais a paquistanesa Malala Yousafzai e o sul-africano Desmond Tutu, também laureados com o Nobel da Paz.

Uma petição, assinada por mais de 350 mil pessoas de todo o mundo, pediu ao Comité do Nobel Norueguês que retire o prémio à responsável birmanesa. Suu Kyi defendeu-se das críticas na semana passada, afirmando haver uma campanha de desinformação sobre a questão e assegurando que vai proteger os direitos de todas as pessoas.

"A solidariedade internacional com os rohingya é o resultado de um enorme icebergue de desinformação, que visa criar problemas entre as diferentes comunidades e promover os interesses dos terroristas", disse.

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje para discutir a violência na Birmânia, uma reunião urgente reclamada pelo Reino Unido e Suécia em resposta às crescentes preocupações da comunidade internacional.

A Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhece cidadania aos rohingya, uma minoria apátrida considerada pela ONU como uma das mais perseguidas do planeta.

Mais de um milhão de rohingya vivem em Rakhine, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente 120 mil pessoas confinadas a 67 campos de deslocados.

Apesar de muitos viverem no país há gerações, não têm acesso ao mercado de trabalho, às escolas, aos hospitais e o recrudescimento do nacionalismo budista nos últimos anos levou a uma crescente hostilidade contra eles, com confrontos por vezes mortíferos.

Lusa

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