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Polícia brasileira prende o presidente do grupo JBS

Paulo Whitaker

A polícia brasileira prendeu hoje o presidente da multinacional do sector de carnes JBS, Wesley Batista, irmão do empresário que acusou o Presidente do Brasil, Michel Temer, de corrupção.

O presidente da JBS, uma das maiores fabricantes e exportadores de carne do mundo, é acusado de usar informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro antes da divulgação dos depoimentos de vários executivos da companhia, que envolveram centenas de políticos num grande escândalo de corrupção.

Os irmãos Batista acusaram o Presidente brasileiro de receber subornos do grupo JBS, uma confissão que levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a apresentar uma denúncia contra Temer em junho passado, que foi arquivada pela câmara baixa parlamentar.

Um dia antes do escândalo que afetou diretamente o chefe de Estado ser tornado público, os irmãos Batista compraram dólares e venderam uma grande quantidade de ações da JBS, sabendo, segundo as autoridades, de antemão a desvalorização cambial e bolsista que iria ocorrer.

Um dia depois do anúncio do escândalo, o mercado de ações do Brasil teve que ser paralisado por meia hora pela primeira vez desde 2008, a moeda do país se desvalorizou mais de 8% e as ações da JBS caíram 10%.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado financeiro no país, está a investigar o caso há meses para verificar se a empresa cometeu o crime de "insider trading", termo que define o uso informações privilegiadas para negociar ações e moedas.

Em maio deste ano, os irmãos Batista assinaram um acordo com o Ministério Público brasileiro comprometendo-se a confessar os crimes que cometeram em troca de imunidade.

Os empresários prestaram diversos depoimentos e explicaram aos investigadores da Operação Lava Jato como funcionava uma vasta rede de corrupção que envolveu a JBS e mais de mil políticos no Brasil.

No entanto, os benefícios do acordo foram suspensos depois que a acusação teve acesso a uma gravação de uma conversa entre Joesley Batista e de um executivo da JBS, no qual eles afirmam que omitiram informações durante as declarações às autoridades.

Joesley Batista foi detido no último domingo em São Paulo e transferido para Brasília na segunda-feira, onde está preso provisoriamente.

Com Lusa

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