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Trump diz estar "muito perto" de chegar a acordo com democratas sobre "dreamers"

Jonathan Ernst / Reuters

O Presidente dos Estados Unidos disse hoje estar "muito perto" de chegar a acordo com os líderes congressistas relativamente ao sistema de proteção a jovens imigrantes indocumentados, mas afirmou que qualquer acordo requer "segurança massiva na fronteira".

Em declarações aos jornalistas antes de iniciar a sua visita ao estado da Florida, onde irá verificar os estragos do furacão Irma, Trump negou ter chegado a acordo sobre o DACA, sistema para proteger da deportação milhares de jovens imigrantes indocumentados, conhecidos como 'dreamers' ('sonhadores'), como disseram os líderes democratas do Senado e da Câmara dos Representantes, respetivamente, Chuck Schumer e Nancy Pelosi.

"Estamos a trabalhar num plano, dependente de controlos massivos na fronteira. Estamos a trabalhar num plano para o DACA. As pessoas querem que isso aconteça", disse Trump, acrescentando: "Penso que estamos muito perto, mas temos de ter segurança massiva na fronteira".

Os líderes democratas do Congresso dos Estados Unidos anunciaram, na quarta-feira, ter chegado a um acordo com o Presidente norte-americano, Donald Trump, para proteger da deportação os 'sonhadores'.

"Tivemos um encontro muito produtivo com o Presidente na Casa Branca. A conversa centrou-se no DACA [Ação Diferida para Imigração Infantil] .

Acordamos em consagrar rapidamente a proteção prevista no DACA numa lei", afirmaram Chuck Schumer e Nancy Pelosi.

Já hoje, numa série de mensagens difundidas pela rede social Twitter, Trump negara o acordo e a existência de conversações com Schumer e Pelosi sobre imigração alegadamente realizadas na Casa Branca, durante um jantar, na quarta-feira à noite.

No seu comunicado, Schumer e Pelosi diziam que os pormenores sobre a segurança na fronteira ainda precisavam de ser negociados e que ambas as partes tinham chegado à conclusão de que o muro com o México não seria parte do acordo e que Trump garantira que abordaria mais tarde a questão do muro.

Nas suas declarações aos jornalistas, Trump afirmou: "O muro vem mais tarde".

Afirmou ainda que os líderes republicanos do congresso, Paul Ryan e Mitch McConnell, apoiam a sua abordagem do programa sobre jovens imigrantes indocumentados: "Ryan e McConnell concordam connosco sobre o DACA".

Donald Trump revogou recentemente um programa lançado, em 2012, pelo antecessor Barack Obama, que protegeu da deportação 800 mil 'sonhadores', chegados ao país quando ainda eram crianças, concedendo-lhes um 'estatuto legal' temporário.

A suspensão não vai ser efetivada de imediato, dado que a Casa Branca deu um prazo de seis meses para o Congresso encontrar uma solução legal alternativa para as pessoas protegidas pelo programa de Obama.

Esse programa oferece proteção temporária a aproximadamente 800.000 jovens, 75% dos quais oriundos do México, chegados aos Estados Unidos ilegalmente enquanto crianças, que graças ao DACA conseguiram então não ser expulsos do país e obter, por exemplo, vistos temporários de trabalho ou carta de condução.

Daquele total faz parte um número indeterminado de jovens portugueses, que pode chegar às várias centenas.

Quatro estados norte-americanos (Califórnia, Minnesota, Maryland e Maine) anunciaram, esta semana, que vão processar a Casa Branca por causa da decisão "anticonstitucional" de acabar com o DACA, juntando-se a outros 15, entre os quais Nova Iorque, que já tinham apresentado queixa.

Lusa

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