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Pyongyang suspeito de recorrer a bitcoins para se financiar

Lucy Nicholson

A Coreia do Norte é suspeita de ter realizado vários ataques informáticos, visando obter moedas criptografadas Bitcoins, como forma de se financiar e fugir ao seu crescente isolamento económico.

Especialistas em segurança cibernética e serviços de inteligência de vários países acreditam que a Coreia do Norte esteve por detrás de vários ataques cibernéticos em grande escala nos últimos anos, incluindo o vírus WannaCry, que danificou sistemas informáticos em dezenas de países. Os especialistas advertem agora para um vírus semelhante que ameaça as moedas digitais.

O regime de Pyongyang, que costuma recorrer ao contrabando de bens e moedas para se financiar com divisas estrangeiras, terá na aquisição ilegal de Bitcoins uma alternativa para se financiar, numa altura em que novas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU isolaram o país economicamente.

O interesse da Coreia do Norte na Bitcoin remonta a 2012, no início da moeda digital e bem antes do seu valor atingir níveis recordes este ano - ultrapassou 4 mil dólares (mais de 3 mil euros) em agosto - segundo explicou à EFE o analista de segurança cibernética Simon Choi, da empresa sul-coreana Hauri Labs.

O país asiático "criou deste então as suas próprias minas (sistemas de TI para gerar bitcoins) e casas de câmbio, e desenvolveu vários programas maliciosos relacionados ao bitcoin e tentou invadir os serviços internacionais de comércio de cryptononet", diz Choi.

"Nós acreditamos que a Coreia do Norte já tem uma quantidade significativa de bitcoins, embora seja impossível saber quantas", afirmou o especialista em cibercrime e assessor dos serviços de inteligência de Seul.

Os últimos alvos foram quatro agências de câmbio da Coreia do Sul, que sofreram ataques entre abril e julho, e cujo rasto aponta para os mesmos "atores norte-coreanos", suspeitos de hackear maciço de bancos internacionais em 2016, segundo um relatório recente da empresa de segurança de computadores FireEye.

"Podemos estar a testemunhar uma segunda onda desta campanha: atores apoiados pelo Estado que procuram roubar bitcoins e outras moedas virtuais com o objetivo de contornar sanções e obter moedas conversíveis para financiar o regime", afirmou o relatório.

Os hackers usaram técnicas "spearphishing" (envio de e-mails para obter acesso não autorizado) a funcionários de casas de cambio, contaminados com o mesmo software malicioso que cimentou o pânico no setor bancário no ano passado, segundo o relatório da empresa norte-americana.

A empresa russa de ciber segurança Karspersky Lab também detetou "ligações diretas" entre a Coreia do Norte e o grupo hacker Lazarus, responsável por ataques como o sofrido pelo Banco Central do Bangladesh, em 2016, considerado um dos maiores roubos cibernéticos da história - 81 milhões de dólares.

O mesmo grupo é suspeito de espalhar o vírus WannaCry, que afetou empresas e instituições em 150 países, em maio passado, segundo as análises de Karspersky e os serviços de inteligência britânicos e norte-americanos.

Os hackers pediram bitcoins para libertar os computadores infetados pelo vírus, com base em software cujo alto nível de sofisticação incluiu partes do código idênticas aos ataques anteriores relacionados a Pyongyang.

O Lazarus também esteva relacionado com o "hacking" sofrido no final de 2014 pela Sony Pictures, depois de lançar o filme "A Entrevista", uma comédia sobre Kim Jong-un.

Lusa

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