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Cristãos podem desaparecer no Iraque dentro de três anos

Khalid Al Mousily

Os cristãos podem desaparecer dentro de três anos no Iraque, e o mesmo se aplica à Síria, disse esta quinta-feira Catarina Bettencourt, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), na apresentação do relatório sobre perseguições aos cristãos.

"No Iraque, se continuarem as condições atuais, estamos em vias de ver desaparecer de vez a comunidade cristã no prazo de três anos - três anos, apenas; o mesmo se pode dizer relativamente à Síria, onde a presença [dos cristãos] está verdadeiramente ameaçada", disse Catarina Bettencourt.

A responsável falava na Quinta do Bom Pastor, na Buraca, Amadora, na apresentação do "Relatório sobre os cristãos oprimidos pela sua fé", na qual esteve também presente o bispo auxiliar de Lisboa, Nuno Brás, e o sacerdote Américo Aguiar.

"Este relatório revela-nos uma realidade aterradora e nunca vista ao longo da História. A situação determinou-se, como nunca tínhamos visto. A única exceção é a Arábia Saudita, que por ser já tão má [a situação] , que era impossível diminuir este grau da Fé e da liberdade da comunidade cristã", disse Catarina Bettencourt.

A AIS é uma fundação pontifícia, que ajuda espiritual e materialmente os cristãos perseguidos em alguns países, e emite, bienalmente, um relatório sobre a liberdade religiosa. Intercaladamente, divulga um relatório, que analisa a situação dos cristãos "em alguns países". É o caso do documento hoje divulgado, que "vê à lupa" os casos de treze países, no período de agosto de 2015 a julho de 2017, com base nas "informações dos parceiros da fundação no terreno".

Além do Médio Oriente, a responsável referiu a Nigéria, onde o grupo radical Boko Haram está atuar, e que "tem provocado um êxodo maciço da comunidade cristã".

A situação na Diocese de Kafanchan, na Nigéria, é referida como exemplo, especificando-se que, nos últimos cinco anos, sofreu o terror do Boko Haram, que provocou o assassínio de 988 pessoas e a destruição de 71 aldeias -- na sua maioria cristãs --, assim como de mais de 20 igrejas. Catarina Bettencourt referiu também a "repressão pelos próprios Estados, e os dois exemplos mais dramáticos são a China e a Coreia do Norte".

Na China, disse Bettencourt, o Presidente da República "descreveu o cristianismo como uma infiltração estrangeira", "tendo aumentado, com muita intensidade, a repressão às comunidades religiosas [cristãs], com um destruição cada vez mais maciça, das cruzes das igrejas e a destruição de edifícios religiosos".

No caso da Coreia do Norte, "um regime muito hermético, de onde são poucas as notícias", segundo um padre que tem estado a apoiar uma comunidade cristã que quer fugir, "as atrocidades são inqualificáveis".

Catarina Bettencourt disse que há cristãos que vivem em campos de concentração, onde "há todo o tipo de torturas, desde passarem fome, a abortos forçados, e fiéis que são pendurados em cruzes e são deixados a morrer", além de julgamentos extrajudiciais.

O relatório visa denunciar estas situações, que "os meios de comunicação social muitas vezes não divulgam", disse.

O bispo Nuno Brás realçou que este relatório "nos dá de facto uma boa imagem daquilo que são as zonas onde esta situação é mais urgente, e engloba uma boa parte do mundo".

Nuno Brás lembrou que, segundo alguns teólogos, "a perseguição é a condição do cristão", que deve "configurar-se com Jesus Cristo perseguido". Neste sentido, a perseguição será sempre uma realidade "que um cristão não pode deixar inclusivamente de amar, [mas] não significa que sejamos masoquistas", acrescentou.

"E se a perseguição é a condição do cristão, o esquecimento não o é. E no mundo ocidental esquecemos a questão da perseguição", nomeadamente nos países que o relatório cita - a China, Egito, Eritreia, Índia, Irão, Iraque, Nigéria, Coreia do Norte, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Síria e Turquia.

O relatório, assinalou o padre Américo Aguiar, "não permite o esquecimento destas vozes que gritam e ninguém ouve; é um tomar de consciência da realidade" invertendo a tendência de cair "no esquecimento da voracidade dos media".

São populações que vivem "uma realidade muito dura e muito difícil por terem encontrado Jesus e ganham a sua vida com muito sofrimento", disse.

Lusa

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