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Time explica o misterioso braço que aparece na capa da personalidade do ano

A revista norte-americana Time elegeu como personalidade do ano todos aqueles que denunciaram os abusos e assédios sexuais que sofreram. Cinco mulheres apareceram na capa, juntamente com um misterioso braço que representa não só uma vítima que quis ficar no anonimato, mas também todos aqueles que ainda não conseguiram denunciar os abusos que sofreram.

Os rostos das cinco mulheres - incluindo a atriz Ashley Judd e a cantora Taylor Swift - aparecem na capa da última edição da revista, que mostra a personalidade do ano de 2017.

O quinteto representa os ou as "Quebra-Silêncio", ou seja, "as centenas de pessoas de todo o mundo que revelaram as suas experiências de assédio sexual e abusos", segundo a revista. Contudo, no canto inferior direito da capa aparece um braço, deliberadamente introduzido na imagem.

Perante a dúvida, a Time decidiu explicar o porquê do membro aparecer na fotografia.

"Pertence a uma jovem anónima que trabalha num hospital no Texas", explicou a revista. A mulher é uma vítima de assédio sexual, "com medo que a família saia prejudicada se mostrar a cara".

"Ela não mostra a cara na capa e continua no anonimato nas páginas da revista." No entanto, o braço é também "um ato de solidariedade" para com todos aqueles que ainda não conseguiram chegar à frente e revelar as suas identidades.

A escolha da personalidade do ano da Time aparece após a denúncia de dezenas de mulheres, alegadamente assediadas sexualmente pelo produtor Harvey Weinstein, e a hashtag #MeToo ("Eu também", em português), usada por milhares de vítimas para se associarem a uma queixa que até agora não tinham tido coragem de assumir.

Ashley Judd foi a primeira mulher a denunciar o produtor norte-americano. Já Taylor Swift venceu um caso judicial contra um ex-DJ que lhe agarrou inapropriadamente.

Segundo a BBC, a capa inclui ainda Adama Iwu, uma lobista empresarial com 40 anos, de Sacramento; Susan Fowler, 26 anos, uma antiga engenheira de Uber que denunciou os alegados casos de assédio sexual na empresa; e Isabel Pascual, 42 anos, uma mexicana que ganha a vida a apanhar morangos.