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Grupos criminosos aliciam jovens venezuelanos com comida

Ivan Alvarado

A crise económica venezuelana está a levar os grupos criminosos a oferecer alimentos e empréstimos em dinheiro para atrair adolescentes para a criminalidade, em vez do tradicional chamariz do dinheiro ou do luxo, escreve esta quarta-feira a imprensa venezuelana.

"As organizações criminosas encontraram terra fértil na crise económica e na pobreza generalizada no país, para fortalecer a sua estrutura (...) as técnicas de recrutamento usadas geralmente para conquistar milhares de jovens, antes baseadas no poder e no luxo, entraram em desuso perante a fome e a necessidade", aponta o diário El Nacional.

Citando um relatório do Observatório Venezuelano de Violência (OVV), o jornal explica que a tendência foi registada em dados de sete Estados que concentram 49% da população das 23 regiões do país.

"Os grupos criminosos dão apoio material aos que identificam como pobres ou vulneráveis, oferecendo-lhes comida, emprestando-lhes dinheiro, o que permite captar rapazes, para quem os criminosos são pessoas que gostam de ajudar e até aconselhar, em casos de necessidade e problemas", afirma.

Segundo o OVV, 75% das vítimas mortais devido à violência no país têm menos de 30 anos de idade e também 75% dos assassinos têm 29 ou menos anos de idade.

"Os grupos criminosos estão a avançar na conquista de milhares de jovens que entram na violência e cujo destino está a ser a morte, a cadeia e a frustração de tantos sonhos e esperanças forjados por familiares e comunidades", destaca o estudo.

Segundo o jornal, em 2017 houve um aumento da insegurança no país, em resultado "perante a deterioração das forças policiais, tribunais e cárceres, componentes indispensáveis do sistema de justiça".

Por outro lado, "durante todo o ano, foram contínuas as demissões de agentes (policiais), que abandonaram os lugares de trabalho para procurar emprego e melhores salários no setor privado ou para emigrar", o que tem levado à redução da força policial.

Assim mesmo, a substituição desse pessoal por novos agentes, formados de maneira expressa, não pode garantir nem idoneidade nem capacitação adequada, considera o relatório.

"O envolvimento de agentes policiais e militares em roubos, sequestros, tráfico de droga e homicídios, constitui uma grave perda para a sociedade", segundo o OVV, que citando o Ministério Público, afirma que 20% dos assassinatos "são cometidos por policias (e militares)", que reputa ser um facto de "muita gravidade".

Por outro lado, as cadeias converteram-se em "clubes sociais do crime e em centros para a planificação e execução de delitos fora do recinto penitenciário".

Lusa

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