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Protestos contra Governo no Irão causaram 25 mortos

Gregorio Borgia

Pelo menos 25 pessoas foram mortas nos confrontos do início do ano em várias cidades iranianas, no decorrer de manifestações contra a política económica do Governo do Irão, indica um novo balanço oficial revisto em alta e divulgado este domingo.

"Vinte e cinco pessoas, gente normal e das nossas próprias forças, foram mortas nos mais recentes distúrbios, mas nenhuma por tiros das forças de segurança, porque eles receberam ordens para não utilizar as suas armas", declarou Gholamhossein Mohseini Ejeie, porta-voz do poder judicial iraniano, citado pela agência Mizanonline.

De 28 de dezembro a 01 de janeiro, o Irão foi palco de fortes protestos em dezenas de cidades, sobretudo na capital, contra a política económica do Governo em Teerão, o custo de vida e a corrupção no país.

Até agora o balanço oficial dava conta de 21 mortos: 15 manifestantes, dois elementos das forças de segurança e quatro civis estrangeiros.

A cadeia de televisão estatal iraniana tinha avançado que seis manifestantes morreram em 01 de janeiro na sequência de confrontos com a polícia quando tentavam entrar à força numa esquadra de polícia perto de Ispahan (centro do país).

Nas declarações à Mizanonline, agência que depende da Autoridade Judicial iraniana, Mohseini Ejeie não deu pormenores sobre a identidade das vítimas.

De acordo com o mesmo porta-voz, "465 pessoas continuam detidas em todo o país" devido aos protestos, das quais 55 em Teerão.

O deputado reformista Mahmoud Sadeghi disse que mais de 3.700 pessoas foram detidas desde 28 de dezembro por causa das manifestações.

Os responsáveis políticos e a polícia já tinham adiantado que a maioria dos detidos, com exceção das pessoas ligadas a grupos "contra-revolucionários", tinha sido posta em liberdade nos primeiros dias de janeiro.

As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos, Israel e a Arábia Saudita de aproveitarem as manifestações para tentar derrubar o regime em Teerão.

O Presidente iraniano, Hassan Rohani, disse hoje que os Estados Unidos fracassaram na sua tentativa de se meter nos assuntos internos do Irão.

Também hoje, as autoridades iranianas desbloquearam o serviço de mensagens instantâneas Telegram, semanas depois de o terem tornado inacessível por causa dos protestos.

A aplicação pode de novo ser usada nos telefones móveis sem necessidade de recorrer a redes privadas virtuais (VPN) ou a outras ferramentas para contornar o filtro do Governo, constatou a agência de notícias espanhola EFE.

A agência oficial do Irão, IRNA, também informou que as autoridades eliminaram na noite de sábado para hoje as restrições impostas ao serviço de mensagens.

A rede social conta com mais de 40 milhões de utilizadores no Irão e foi uma das utilizadas para convocar os protestos que acontecerem no final de dezembro contra a alta de preços e a corrupção e que acabaram a contestar o próprio sistema da República Islâmica.

Lusa

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