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O caso Assange é "um problema" para o Equador

Jon Nazca

O Presidente equatoriano, Lenin Moreno, declarou no domingo que o asilo atribuído ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, pela embaixada do Equador em Londres desde 2012 é "um problema herdado" que constitui "mais que um aborrecimento".

"Esperamos alcançar a curto prazo um resultado positivo neste ponto que nos causa mais que um aborrecimento", afirmou o chefe de Estado durante uma entrevista com três canais de televisão locais.

Moreno insistiu que o Equador pretende obter uma mediação de "alguém importante" para resolver a situação de Assange, mas não indicou quem poderá ser.

Refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 2012

Julian Assange refugiou-se na embaixada do Equador em Londres em junho de 2012 para escapar ao mandado de detenção europeu emitido pela Suécia, na sequência de acusações de violação, as quais sempre negou, alegando que as relações sexuais com a queixosa foram consentidas.

O Presidente do Equador era na altura Rafael Correa, uma grande figura da esquerda sul-americana, que provocou Washington ao conceder asilo ao fundador do WikiLeaks, o site que divulgou documentos confidenciais dos EUA.

Suécia encerrou processo, mas EUA ainda querem Assange

A Suécia encerrou o processo contra Assange e retirou o mandato de detenção em maio de 2017, mas Assange continuou na embaixada do Equador por receio de ser detido pelas autoridades britânicas e deportado para os Estados Unidos, onde pode ser julgado.

O site WikiLeaks, lançado em 2006, tornou-se conhecido por divulgar vídeos do exército norte-americano em Bagdade, no Iraque, e depois por tornar públicos relatórios confidenciais das Forças Armadas norte-americanas sobre a guerra no Afeganistão e no Iraque.

Em finais de novembro de 2010, com a divulgação de milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, Julian Assange e o seu sítio na Internet tornam-se definitivamente num alvo para a administração norte-americana.

Nacionalidade equatoriana


O Equador anunciou na semana passada que atribuiu em dezembro a nacionalidade equatoriana a Julian Assange e que Quito pediu a Londres que lhe reconheça estatuto diplomático, o que lhe permitiria sair da embaixada sem ser preso pela polícia britânica.

No entanto, o Reino Unido recusou atribuir este estatuto. A polícia britânica disse que prenderá Assange se ele sair da embaixada, porque em 2012 ele não respeitou as condições da liberdade condicional que lhe tinha havia concedido.

O Presidente equatoriano lamentou que Londres não tenha aceitado o estatuto diplomático.

"Isso teria sido um bom resultado. Infelizmente, as coisas não se passaram como a ministra dos Negócios Estrangeiros tinha planeado, e o problema mantém-se", declarou Moreno.

A chefe da diplomacia do Equador, Maria Fernanda Espinosa, confirmou que o seu país manteria o asilo concedido a Julian Assange por Rafael Correa, que agora se tornou um inimigo político de seu ex-aliado Lenin Moreno.

Com agências

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