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Janeiro "mês sangrento" com a morte de 83 crianças em conflitos e ataques

Foto fornecida à AP pelo grupo de defesa de direitos civis sírio Ghouta Media Center, GMC, mostra uma criança que sobreviveu ao ataque do regime sírio contra Ghouta a 5 de fevereiro de 2018

Ghouta Media Center, GMC / AP

Pelo menos 83 crianças, a grande maioria sírias, morreram durante o "mês sangrento" de janeiro em conflitos e ataques registados em países do Médio Oriente e do norte de África, divulgou hoje a UNICEF

A intensificação da violência no Iraque, Líbia, Síria, no Estado da Palestina e no Iémen" teve consequências "devastadoras" para a vida das crianças, disse o diretor regional da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para o Médio Oriente e do norte de África, Geert Cappelaere, citado num comunicado.

"Só no mês de janeiro, pelo menos 83 crianças foram mortas (...) em conflitos em curso, em ataques suicidas ou morreram de frio ao fugir de zonas de guerra", sublinhou o representante.

Geert Cappelaere realçou que as crianças estão a pagar "o preço mais alto" por guerras pelas quais não são responsáveis.

"São crianças, crianças!", frisou o diretor regional da UNICEF, na mesma nota informativa.

Na Síria, país que enfrenta desde março de 2011 um conflito civil, "59 crianças foram mortas nas últimas quatro semanas", segundo a agência das Nações Unidas.

No conflito no Iémen, já classificado como uma das piores crises humanitárias dos últimos anos, 16 crianças perderam a vida "em ataques em todo o país".

Em Benghazi, no leste da Líbia, "três crianças foram mortas num ataque suicida e outras três quando brincavam perto de engenhos explosivos", segundo a UNICEF.

Uma mina tirou também a vida a uma criança na cidade velha de Mossul, antigo bastião do grupo extremista Daesh no norte do Iraque.

Um menor foi baleado numa localidade perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel.

No Líbano, "16 refugiados sírios, incluindo quatro crianças, que fugiram da Síria morreram de frio durante uma tempestade severa", referiu a UNICEF.

"Não são centenas, nem milhares, mas milhões de crianças no Médio Oriente e no norte de África a quem roubaram a infância, que foram mutiladas, traumatizadas, presas, impedidas de ir à escola (...) e privadas do direito mais básico, de brincar", sublinhou o comunicado.

Para Geert Cappelaere, "podem ter silenciado as crianças, mas as suas vozes vão continuar a ser ouvidas!".

"A sua mensagem é a nossa: a proteção das crianças é prioritária em todas as circunstâncias, faz parte das leis da guerra", concluiu.

2017 um "ano pesadelo" para as crianças

Em dezembro passado, a UNICEF qualificou 2017 como um "ano pesadelo", denunciando na altura que os conflitos armados tinham afetado de maneira desmedida as crianças.

Em 2017, as crianças em zonas de conflito foram vítimas de ataques "a uma escala chocante", fruto de um "desprezo generalizado e flagrante das normais internacionais que protegem os mais vulneráveis", afirmou na altura a organização no seu relatório anual, que apontava as situações na República Centro Africana, Nigéria, Birmânia, Sudão do Sul, Ucrânia, Iémen ou Síria.

No ano passado, segundo os números da UNICEF, 5.000 crianças foram mortas ou feridas no Iémen, 700 foram mortas no Afeganistão, centenas usadas como escudos humanos na Síria e no Iraque, 135 usadas como bombistas suicidas na Nigéria, 19.000 recrutadas pelo exército e grupos armados no Sudão do Sul.

O mesmo relatório indicou que na Europa, no leste da Ucrânia, mais de 200.000 crianças vivem sob a ameaça constante das minas antipessoal e de artefactos que não explodiram que apanham para brincar ou pisam, morrendo ou sofrendo mutilações.

Lusa

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