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Mortes por opiáceos nos EUA "obrigam" gigante farmacêutico a recuar

George Frey

O fabricante do medicamento opiáceo mais vendido nos Estados Unidos anunciou esta quinta-feira que ordenou aos seus vendedores que não encorajem os médicos a receitar medicamentos para a dor que, alegadamente, possam provocar dependência química.

A Purdue Pharma, que esta semana foi referida num relatório de uma senadora democrata como sendo uma das empresas farmacêuticas que alegadamente contribui para uma "epidemia de mortes" relacionadas com o consumo de medicamentos opiáceos, revelou, através do Twitter e na sua página oficial, que deixará de promover, junto dos médicos, o popular analgésico OxyContin.

"Reestruturámos e reduzimos significativamente a nossa operação comercial, e os nossos representantes de vendas já não promoverão os opioides junto dos médicos prescritores", garante a empresa farmacêutica, uma das maiores e mais poderosas da América.

De acordo com o relatório da senadora de Missouri Claire McCaskil, divulgado na terça-feira, as empresas farmacêuticas que vendem alguns dos analgésicos de prescrição mais lucrativos terão contribuído para uma "epidemia de mortes" na América, relacionadas com o consumo de medicamentos opiáceos.

A senadora garante que prescrição excessiva de medicamentos para a dor terá provocado o vício de milhões de americanos, assim como uma explosão de overdoses fatais, entre as quais as dos músicos Prince e Tom Petty.

O documento, que resulta de uma investigação começada em 2017, denuncia "a capacidade da indústria de opiáceos de moldar a opinião pública" e levanta questões sobre o seu papel na "epidemia de overdoses", que terá custado "centenas de milhares de vidas americanas" nos últimos anos.

Entre 2012 e 2017, as empresas terão canalizado dez milhões de dólares para grupos de defesa, lobistas e para médicos que prescrevem o uso deste tipo de medicamentos, de acordo o relatório. As conclusões do relatório podem reforçar centenas de ações judiciais destinadas a responsabilizar as farmacêuticas que comercializam analgésicos opioides.

Segundo os acusadores, 340 mil americanos morreram desde 2000 por problemas relacionados com o consumo de medicamentos deste género. Dez estados e dezenas de cidades e condados americanos processaram empresas como a Purdue, Endo International e Janssen Pharmaceuticals, da Johnson & Johnson, acusando-as de desencadear a epidemia ao minimizarem os riscos de dependência e overdose de analgésicos como OxyContin e Percocet.

A indústria farmacêutica é acusada de "ignorar provas" que mostravam que o uso de medicamentos deste género aumenta o risco de abstinência, abuso e dependência.

Em outubro, o presidente Donald Trump descreveu a crise de opioides como uma emergência nacional de saúde pública.

Estima-se que 2,4 milhões de americanos sejam viciados em opioides, narcóticos que incluem tanto os analgésicos receitados como a heroína.

Lusa

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