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Primeiro-ministro israelita acusa Mahmud Abbas de pagar "a terroristas"

Amir Cohen

O primeiro-ministro de Israel acusou esta terça-feira Abbas de pagar "a terroristas", em reação à intervenção do presidente da Autoridade Palestiniana na ONU, onde defendeu a "criação de mecanismo multilateral" para interceder nas negociações de paz.

"Abbas não colocou em marcha nada, prossegue a sua ação fugindo da paz e pagando aos terroristas e suas famílias 347 milhões de dólares", observou o chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, em comunicado, em referência aos palestinianos que realizaram ataques contra os israelitas.

Também dois ministros do Governo de Israel criticaram Abbas, que pediu para promover um novo mecanismo internacional que impulsione o estancado processo de paz entre palestinianos e israelitas, rejeitando uma mediação única por parte dos Estados Unidos.

O ministro da Educação israelita, Naftali Benet, escreveu na sua conta na rede social Twitter que "uma nação que inventa o seu passado não tem futuro" e recomendou Abbas para "centrar-se não em construir um passado imaginário, mas um futuro prático". O titular da pasta da Defesa, Avigdor Lieberman, também reiterou na mesma rede social que Abbas "paga soldos aos terroristas que prejudicam Israel e, por outro lado, pede o reconhecimento das Nações Unidas".

Durante uma longa e rara intervenção diante daquele alto órgão das Nações Unidas, Mahmud Abbas defendeu que a solução para o conflito no Médio Oriente não pode depender de "um só país" e propôs regular a questão palestiniana tendo como ponto de partida "uma conferência internacional" em meados deste ano."É essencial criar um mecanismo multilateral através de uma conferência internacional" para ter paz no Médio Oriente, afirmou o líder palestiniano.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) reagiu, entretanto, e manifestou apoio à proposta de Abbas."É uma oportunidade histórica para a comunidade internacional apoiar a conquista de uma paz justa e duradoura e para pôr fim a 51 anos da ocupação de Israel de terras e de vidas palestinianas", afirmou o secretário-geral da OLP, Saeb Erekat, num comunicado.

A proposta de Abbas surge em resposta à decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, um passo assumido em dezembro último pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que o líder palestiniano voltou hoje a criticar fortemente. "Queremos que Jerusalém esteja aberta às três religiões monoteístas", sublinhou Abbas, afirmando que Jerusalém também é a capital do futuro Estado palestiniano.

Após o anúncio de Trump, Mahmud Abbas descartou os Estados Unidos como mediador do processo de paz para o Médio Oriente, que está num impasse há vários anos. Na mesma intervenção no Conselho de Segurança, Abbas pediu aos países que ainda não reconheceram o Estado palestiniano para darem esse passo.

Dos 193 Estados-membros que integram as Nações Unidas, 138 já reconheceram o Estado palestiniano, recordou Abbas."Regressamos ao Conselho de Segurança e pedimos esta proteção" de um reconhecimento pleno e inteiro de um Estado, disse Mahmud Abbas."Reconhecer o Estado da Palestina não vai contra as negociações", insistiu o líder palestiniano, lançando um último apelo: "Ajudem-nos".

Após a intervenção, Mahmud Abbas foi fortemente aplaudido. O líder palestiniano saiu depois da sala e não assistiu à resposta do embaixador de Israel junto das Nações Unidas. A questão de Jerusalém é uma das mais complicadas e delicadas do conflito israelo-palestiniano, um dos mais antigos do mundo. Israel ocupa Jerusalém Oriental desde 1967 e declarou, em 1980, toda a cidade de Jerusalém como a sua capital indivisa.

A Palestina é desde 2012 "Estado observador não membro" da ONU, estatuto que lhe permite integrar as agências da organização internacional e reunir com o Tribunal Penal Internacional (TPI). Mesmo assim, não é membro de pleno direito das Nações Unidas.

Lusa

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