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Jovem alvejado em tiroteio em escola da Florida processa autoridades dos EUA

Mary Koeth

Um jovem alvejado com cinco tiros para proteger outros estudantes durante o tiroteio na escola de Parkland, na Florida, em 14 de fevereiro, planeia processar as autoridades norte-americanas por negligência, revelou hoje a comunicação social.

Anthony Borges, de 15 e anos e de origem venezuelana, e a família enviaram uma carta a várias agências do condado de Broward a comunicar a sua intenção de agir judicialmente.

O objetivo é ser ressarcido das despesas médicas dos tratamentos aos ferimentos que sofreu no tiroteio na escola Marjory Stoneman Douglas, que provocou 17 mortos e 15 feridos.

Alex Arreaza, advogado de Anthony Borges, que foi alvejado nas pernas e acima da cintura, assegura, na carta, que as faturas médicas ascendem a um milhão de dólares, como assinala o diário Sun Sentinel.

No entanto, o representante de Borges não revelou ainda o valor da indemnização a pedir.

"A maneira negligente como reagiram as escolas públicas do condado de Broward, o diretor e o agente de polícia para proteger os alunos e, em particular, Borges de uma ameaça iminente para as suas vidas foi algo moroso, inaceitável e negligente", escreveu Arreaza na missiva.

Devido a esta "ação ou inação", o jovem, que permanece hospitalizado, sofreu lesões que o impedem de caminhar e tem dificuldades para realizar "por si mesmo tarefas básicas".

Anthony Borges foi alvejado com cinco tiros de bala quando tentava fechar uma porta da escola e proteger cerca de duas dezenas de alunos, que tentavam sair da linha de fogo de Nikolas Cruz, o ex-estudante que confessou o atentado.

Hoje, a Justiça norte-americana prevê começar a apresentar as provas contra Cruz, que poderá ser acusado de 17 crimes de homicídio premeditado, o que pode levar a uma condenação à pena de morte.

O tiroteio no liceu Marjory Stoneman Douglas relançou o debate sobre a segurança nas escolas e um maior controlo na venda de armas de fogo.

A pressão de pais e alunos da escola levou a que o Senado do estado da Florida, de maioria republicana, tenha aprovado na segunda-feira um projeto de lei que aumenta de 18 para 21 a idade para aquisição de armas de fogo.

Entre outras medidas, a nova legislação estabelece também três dias de espera para poder apurar a identidade de quem compra e destinar 400 milhões de dólares (322,6 milhões de euros) para a segurança nas escolas e para reforçar os serviços de saúde mental.

A lei aprovada no senado estadual deverá conciliar-se com outra da Câmara dos Representantes, para uma promulgação final por parte do governador do estado da Florida.


Lusa

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