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Há casos de asfixia após bombardeamentos contra Ghouta, denunciam ONG

Bassam Khabieh / Reuters

Dezenas de casos de asfixia foram registados após os bombardeamentos da aviação síria e russa em Ghouta oriental, indicam hoje organizações não-governamentais que admitem a possibilidade de um ataque químico.

Na noite de quarta-feira, pelo menos 60 pessoas sofreram dificuldades respiratória nas localidades de Saqba e Hammouriyé após os bombardeamentos aéreos, refere o Observatório Sírio dos Direitos do Homem.

De acordo com a organização não-governamental com sede em Londres os ataques aéreos foram levados a cabo pela Força Aérea do regime de Damasco apoiada pelos aviões de combate da Rússia, país aliado do regime sírio.

Médicos que se encontram no local referem que trataram pelo menos 29 pessoas que apresentavam sintomas de exposição a gás cloro, especifica a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS), uma organização não-governamental que apoia equipas de saúde no país.

"Depois de um ataque com gás cloro em Ghouta oriental, os doentes ficam a sofrer de sérias dificuldades respiratórias", denunciou a SAMS através de uma mensagem difundida através das redes sociais na internet.

O regime mantém os ataques contra Ghouta oriental, nos arredores da capital síria, sendo que a ofensiva se intensificou nas últimas horas.

Os ataques que começaram no dia 18 de fevereiro provocaram a morte a, pelo menos, 860 civis.

Na localidade de Hammouriyé, um correspondente da France Presse, viu dezenas de pessoas, sobretudo mulheres e crianças, que se encontravam deitadas no chão numa tentativa de se protegerem dos ataques aéreos e que depois se arrastavam para debaixo de um telhado onde se respirava melhor.

Os pais despiram as crianças que foram depois lavadas com água numa tentativa de eliminar a possível presença de um gás tóxico no corpo, após os bombardeamentos.

Casos de asfixia semelhantes foram relatados nos dias anteriores pelo Observatório Sírio dos Direitos do Homem.

O regime sírio, que desmente a utilização de armas químicas, tem sido acusado de usar gás cloro contra a população que se encontra em Ghouta.

As acusações foram consideradas "irrealistas" pelo presidente sírio, facto que provocou a reação de Washington e de Paris que ameaçam bombardear a Síria caso se confirme o uso de armas químicas. Entretanto, a ofensiva governamental no terreno progride nos arredores de Damasco.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos do Homem os ataques de quarta-feira fizeram 86 mortos, entre os quais 10 crianças e oito mulheres, além de ter provocado ferimentos a 150 civis.

Hoje, a Cruz Vermelha Internacional suspendeu o envio do segundo comboio humanitário para Ghouta, arredores de Damasco, devido à "violência" que se regista na zona.

"O envio do comboio com ajuda humanitária foi adiado. Não há ainda confirmação de quando vai ocorrer o novo envio", disse Ingy Sedky, porta-voz do Comité Internacional da Cruz Vermelha na Síria.

O adiamento da missão humanitária coincide com a intensificação da ofensiva das forças governamentais na zona.

No início da semana o primeiro comboio com ajuda humanitária foi enviado para Ghouta mas 14 dos 46 camiões foram impedidos de chegar ao destino por causa dos confrontos armados.

Lusa

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