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Mais de mil pessoas em protesto pela demissão do primeiro-ministro do Japão

Kim Kyung Hoon

Mais de mil pessoas concentraram-se na segunda-feira à noite junto à residência oficial do primeiro-ministro do Japão, pedindo a sua demissão e a do titular da pasta das Finanças, na sequência do escândalo de alegado favorecimento de uma instituição privada.

As ruas junto ao denominado Kantei encheram-se de palavras de ordem para pedir a renúncia dos governantes, após o ministro das Finanças, Taro Aso, ter admitido que o seu ministério manipulou documentos ligados a um caso de presumível ajuda financeira e administrativa a uma instituição privada.

Perante os pedidos de demissão, iniciados com a revelação do caso, o ministro das Finanças, que é também vice-primeiro-ministro, reiterou esta terça-feira a sua intenção de continuar a liderar a investigação, mas não apresentar a sua demissão, em declarações à comunicação social citadas pela agência EFE.

Os registos manipulados versam sobre um acordo alcançado em 2016 para vender, a cerca de um décimo do seu valor de mercado, um terreno propriedade estatal em Psaka (oeste) à Moritomo Gakuem, uma controversa instituição ligada à área da educação que promovia ideias ultranacionalistas e que tinha ligações ao primeiro ministro nipónico, Shinzo Abe, e à sua mulher, Akie Abe.

Um total de 14 documentos foram reescritos pelo ministério após o caso ser revelado, no ano passado, e posteriormente apresentados no parlamento como prova para afastar o executivo da polémica, indicam os resultados de uma investigação revelados na segunda-feira.

O nome de Akie Abe e o seu apoio explícito ao projeto da Moritomo Gakuem foram eliminados dos documentos originais, assim como as referências a Shinzo Abe e ao ministro das Finanças e o apoio de ambos a uma organização ultraconservadora em que o chefe da instituição também ocupava uma posição de topo.

A mulher do primeiro-ministro japonês deveria ser nomeada diretora honorária da escola, cujo projeto de construção foi abandonado quando o escândalo surgiu, em fevereiro de 2017.O escândalo já motivou a renúncia, na sexta-feira, do diretor da Agência Tributária, Nobuhisa Sagawa, que no momento de tratar os documentos era responsável pela gestão da venda de terras do Estado.

Lusa

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