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Porque é que a Síria está em guerra?

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Aquilo que começou por ser uma rebelião pacífica contra o Presidente da Síria tornou-se numa guerra civil. Sete anos depois do início da guerra, mais de 350 mil civis morreram, entre eles 20 mil crianças, e os bombardeamentos deixaram um país em ruínas.

Como é que começou a guerra?

Antes do início do conflito sangrento, os sírios protestavam contra a elevada taxa de desemprego, a corrupção e a falta de liberdade política durante a presidência de Bashar al-Assad, que subiu ao poder em 2000, substituindo o pai Hafez al-Assad, que governou durante 30 anos até à sua morte.

Os grandes protestos populares começaram em janeiro de 2011 e progrediram para uma violenta revolta armada em março, inspirada pela Primavera Árabe nos países vizinhos.

O Governo decidiu agir, usando a força contra os dissidentes, e os protestos por todo o país continuaram a exigir a demissão do Presidente.

A instabilidade espalhou-se e a repressão intensificou-se. Os apoiantes da oposição recorreram às armas, primeiro para se defenderem e depois, mais tarde, para expulsar as forças do Governo das suas áreas. Segundo a BBC, Bashar al-Assad jurou eliminar aqueles a que chamou de "terroristas armados que visam desestabilizar o país", ajudados por "inimigos estrangeiros".

Março de 2012

Março de 2012

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Quantas pessoas foram afetadas?

O Observatório Sírio de Direitos Humanos revelou este mês que, desde o início da guerra, 353.900 pessoas morrerem, entre as quais 106 mil civis e 20 mil crianças. O número não inclui as 59.900 pessoas que estão desaparecidas e consideradas mortas. O grupo estimou ainda que cerca de 100 mil mortes não foram documentadas.

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Ou seja, mais de 500 mil pessoas podem ter sido mortas no conflito.

De acordo com a BBC, a guerra deixou mais de 1.5 milhão de pessoas com incapacidades permanentes, incluindo 86 mil que perderam membros do corpo.

Pelo menos seis milhões de sírios são refugiados dentro do próprio país, enquanto outros 5.6 milhões saíram da Síria para fugir à guerra. A maior parte dos refugiados sírios está nos países vizinhos, como o Líbano, a Jordânia e a Turquia. Mas é também na Europa que muitos refugiados procuram asilo.

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Portugal vai receber 1010 refugiados até 2019, num acordo celebrado no âmbito do programa de reinstalação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Os migrantes, nem todos sírios, juntam-se aos 1700 que já se encontram no país, estes últimos ao abrigo do Programa de Recolocação da União Europeia.

Nos dias de hoje, a guerra da Síria continua a ser uma realidade que obriga milhares de pessoas a fugir das suas casas, em busca de uma vida sem ataques aéreos ou bombas.

Aqueles que vivem em campos à espera de algo melhor, vivem também na incerteza do que o futuro possa trazer.

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Os rostos da tragédia

Amin Hashem é um dos quase 400 mil habitantes de Ghouta oriental para quem a vida se tornou uma luta diária pela sobrevivência. Só sai do abrigo, que partilha com centenas de pessoas, para procurar comida para a família. O relato de Amin, num exclusivo para a SIC.

Bana Alabed, uma menina de 7 anos, criou com a ajuda da mãe uma conta nas redes sociais, onde denunciava os horrores da guerra.

Apesar de o Governo de Damasco dizer que se tratava de propaganda jihadista, a menina continuou a fazer o diário do horror da guerra. Em dezembro de 2016, a menina e a família foram alguns dos milhares que abandonaram a cidade de Alepo.

Este ano, a menina síria chegou mesmo a participar na cerimónia de entrega dos Óscares.

Quem está envolvido?

Esta já não é uma guerra entre aqueles que estão contra e os que estão a favor do Presidente. Muitos grupos e países diferentes estão envolvidos, o que torna a situação muito mais complexa e impede que a guerra termine.

Aquilo que era um conflito político também passou a ser religioso, com os sunitas - grupo de onde veio a maior parte do apoio para a rebelião - a irem contra os alauitas, a religião do Presidente sírio.

A tamanha divisão levou os dois grupos a cometer atrocidades e a dividir comunidades. Isto levou ao crescimento dos grupos islâmicos, como o Daesh e a al-Qaeda.

Os apoiantes principais do Governo são a Rússia e o Irão, enquanto os Estados Unidos da América, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam os rebeldes.

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A Rússia lançou uma campanha de bombardeamentos aéreos em 2015, que foi crucial para deixar o Governo sírio do lado da vitória. Segundo a BBC, os militares russos dizem que apenas têm como alvo os "terroristas", mas os ativistas defendem que regularmente são mortos civis.

Acredita-se que o Irão enviou centenas de tropas e gastou milhões de euros para ajudar Bashar al-Assad. Ao lado dos militares sírios, lutam milhares de xitas armados, treinados e financiados pelo Irão, a maior parte do movimento do Hezbollah do Líbano. Iraquianos, afegãos e iemenitas também estão presentes.

Os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a França e outros países do ocidente também fornecem vários tipos de apoio àqueles que consideram ser os rebeldes "moderados". A coligação dos países ocidentais executa bombardeamentos aéreos contra o Daesh na Síria, desde 2014, e ajuda as Forças Democráticas Sírias, uma aliança entre os curdos e as milícias árabes.

A Turquia apoia os rebeldes. Contudo, usa-os para conter a milícia curda que domina as Forças Democráticas Sírias, acusando-os de serem uma extensão do grupo curdo banido da Turquia.

A Arábia Saudita também é um dos países que arma e financia os rebeldes.

Como é que o país foi afetado?

Para além das milhares de mortes e dos milhões que fugiram, a guerra na Síria causou danos profundos no país.

Os sírios têm acesso limitado a cuidados médicos. Segundo a BBC, até ao final de 2017, foram documentados 492 ataques a 330 instalações médicas, o que resultou na morte de 847 profissionais de saúde.

Grande parte da herança cultura da Síria foi destruída pelos bombardeamentos. Os seis monumentos ou sítios considerados Património Mundial pela Unesco, na Síria, foram significativamente danificados.

O Daesh tomou de assalto a cidade histórica de Palmira a 20 de maio de 2015. Quase um ano depois, o regime sírio recuperou o controlo total da cidade. O antes e depois da cidade pode ser vista na galeria.

Antes do Daesh: Templo de Bel, junho, 2009
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Antes do Daesh: Templo de Bel, junho, 2009

© Gustau Nacarino / Reuters

Antes do Daesh: Arco do Triunfo, agosto, 2010
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Antes do Daesh: Arco do Triunfo, agosto, 2010

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Antes do Daesh: Templo de Bel, agosto, 2010
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Antes do Daesh: Templo de Bel, agosto, 2010

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Antes do Daesh: Museu de Palmira, abril, 2008
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Antes do Daesh: Museu de Palmira, abril, 2008

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Antes do Daesh: Grande Colunata, agosto, 2010
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Antes do Daesh: Grande Colunata, agosto, 2010

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Antes do Daesh: Teatro romano, abril, 2008
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Antes do Daesh: Teatro romano, abril, 2008

© Omar Sanadiki / Reuters

Imagem distribuída pelo Daesh: jihadistas carregam um barril para dentro do Templo Romano, agosto, 2015
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Imagem distribuída pelo Daesh: jihadistas carregam um barril para dentro do Templo Romano, agosto, 2015

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Imagem distribuída pelo Daesh: explosivos nas colunas do Templo de Bel, agosto, 2015
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Imagem distribuída pelo Daesh: explosivos nas colunas do Templo de Bel, agosto, 2015

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Imagem distribuída pelo Daesh: destruição do Templo romano, agosto, 2015
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Imagem distribuída pelo Daesh: destruição do Templo romano, agosto, 2015

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Imagem distribuída pelo Daesh: destruição da cidade de Palmira, agosto, 2015
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Imagem distribuída pelo Daesh: destruição da cidade de Palmira, agosto, 2015

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Depois do Daesh: destruição da cidade de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: destruição da cidade de Palmira, março, 2016

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Depois do Daesh: artefactos danificados no Museu de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: artefactos danificados no Museu de Palmira, março, 2016

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Depois do Daesh: Museu de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: Museu de Palmira, março, 2016

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Depois do Daesh: cartaz de propaganda Daesh numa rua de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: cartaz de propaganda Daesh numa rua de Palmira, março, 2016

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Depois do Daesh: vista da cidade histórica de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: vista da cidade histórica de Palmira, março, 2016

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Depois do Daesh: vista geral da cidade histórica de Palmira, março, 2016
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Depois do Daesh: vista geral da cidade histórica de Palmira, março, 2016

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A maior cidade do país, Alepo, também foi gravemente afetada pela guerra. Antes da guerra civil, Alepo era uma potência comercial movimentada e um centro histórico orgulhoso - a sua longa herança estava exposta em marcos antigos, ainda usados por comerciantes e turistas. Mas isso mudou, como é possível ver na galeria do antes e depois da cidade.

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Museus destruídos, universidades em ruínas ou cidades históricas arrasadas. Muitos foram os sítios bombardeados ou simplesmente desfeitos às mãos do Daesh.

Um estudo recente das Nações Unidas revelou que 93% dos edifícios de Ghouta Oriental foram danificados ou destruídos, perto da zona da Damasco.

A guerra vai alguma vez terminar?

A guerra não tem fim à vista, mas todos concordam que é necessária uma solução política. O Conselho de Segurança da ONU tem-se reunido várias vezes com a situação da Síria em cima da mesa.

As conversações pela paz, mediadas pelas Nações Unidas, ainda não mostraram frutos, desde 2014. O Presidente sírio não se mostra disponível para negociar com a oposição e os rebeldes continuam a insistir que Bashar al-Assad se demita.

O general que preside ao Comité Militar da NATO defende que a guerra na Síria só pode terminar pela via do diálogo. Em entrevista à SIC, Petr Pavel diz que a solução política é dificultada pelo número de atores no conflito.

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