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Milhares de brasileiros exigem justiça um mês após assassinato de Marielle Franco

Ricardo Moraes

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado no Rio de Janeiro para exigir "justiça" e respostas ao assassinato da vereadora Marielle Franco, de 38 anos, um mês após um crime com grande impacto no Brasil.

As celebrações em memória de Marielle e do seu condutor Anderson Gomes, também morto no atentado, decorreram nas principais cidades do país, mas foi no Rio de Janeiro que tiveram maior expressão, a cidade onde a ativista política nasceu e mantinha a sua atividade.

Militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), negra e ativista de direitos humanos, Marielle foi morta a tiro na noite de 14 de março, quando viajava num veículo por uma rua do centro da cidade após ter participado num ato político.

As investigações decorrem sob estrito segredo de justiça, mas diversas pistas parecem apontar para que os autores dos atentados sejam membros das "milícias", grupos com ligações à polícia que operam em diversas favelas do Rio de Janeiro e disputam o controlo desses locais com os narcotraficantes.

As autoridades já confirmaram que os invólucros de bala recolhidos no local pertencem a um lote adquirido pela polícia federal em 2006, que de seguida foi distribuído por vários estados, incluindo o do Rio de Janeiro.

Nascida e criada na Maré, uma das favelas mais pobres do Rio, Marielle Franco era conhecida pelas suas denúncias contra os excessos policiais e as suas críticas à intervenção federal na segurança da cidade decretada pelo governo, que um mês antes da sua morte colocou diversas áreas sob controlo dos militares.

O assassinato da ativista teve uma enorme repercussão no exterior e foi condenado de forma unânime por organismos de direitos humanos por todo o mundo.

Na sexta-feira, a Amnistia Internacional (AI) renovou a sua exigência às autoridades brasileiras e exortou-as a "dar prioridade" à resolução deste caso.

"A sociedade tem de saber quem matou Marielle e porquê. Cada dia que passa sem este caso estar resolvido agrava-se o risco e a incerteza em torno dos defensores e defensoras dos direitos humanos", assinalou Jurema Werneck, diretora executiva da secção brasileira da Amnistia.

Lusa

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