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Macron diz ter convencido Trump a não retirar as tropas da Síria

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O Presidente francês Emmanuel Macron disse este domingo que os ataques ocidentais contra a Síria foram um sucesso "no plano militar" e revelou ter convencido o seu homólogo dos Estados Unidos a não retirar as tropas norte-americanas do terreno.

"No plano militar tivemos sucesso na operação", declarou Macron em entrevista à televisão, acrescentando que "foi a comunidade internacional que interveio", numa referência à operação comum dos Estados Unidos, França e Reino Unido, realizada na madrugada de sábado fora do quadro das Nações Unidas.

O Presidente francês garantiu nesta entrevista ter convencido Donald Trump, que tinha manifestado a intenção de retirar as tropas norte-americanas no terreno, "de permanecer" na Síria, na sequência dos ataques dos Estados Unidos, França e Reino Unido na madrugada de sábado.

"Há dez dias, o Presidente Trump dizia que os Estados Unidos admitiam a hipótese de se descomprometerem com a Síria, mas convencemo-lo que era necessário permanecer (...) asseguro-vos, convencemos que era necessário permanecer", declarou.

Nas mesmas declarações, o chefe do Eliseu assegurou ainda que a França "não declarou guerra ao regime" de Bashar al-Assad e recordou a vontade de Paris de encontrar uma solução política "inclusiva" à guerra na Síria, que junte todos os setores envolvidos na crise.

Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido realizaram no sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O presidente dos Estados Unidos justificou o ataque como uma resposta à "ação monstruosa" realizada pelo regime de Damasco contra a oposição.

Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança.

O ataque da madrugada de sábado foi uma reação ao alegado ataque com armas químicas contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, ocorrido no dia 07 de abril e que terá provocado 40 mortos e afetado 500 pessoas.

Na sequência destes ataques, e a pedido da Rússia, realizou-se uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na qual foi rejeitada uma proposta de condenação da ofensiva militar, apresentada pelos russos.

Hoje, o presidente russo, Vladimir Putin, avisou que novos ataques à Síria por países europeus e Estados Unidos podem provocar "o caos" nas relações internacionais, enquanto o líder sírio, Bashar al-Assad, acusou os Estados Unidos e os seus aliados de lançarem uma "campanha de falácias e mentiras" após a ofensiva militar lançada no sábado por Washington, Londres e Paris.

Na segunda-feira, será entregue ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução sobre a Síria, que inclui um novo mecanismo de controlo sobre o uso de armas químicas. O texto, redigido pela França, abrange três áreas: química, humanitária e política, segundo fontes diplomáticas.

Lusa

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