Mundo

Chefe da diplomacia da UE defende retoma das conversações de paz para a Síria 

Remo Casilli/ Reuters

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) defendeu hoje que é vital retomar as conversações de paz para a Síria mediadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), dois dias após a intervenção militar no país. À entrada para a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, que se realiza no Luxemburgo, Federica Mogherini previu "um dia muito longo", no qual a Síria assumirá o papel principal, depois de, no passado sábado, EUA, França e Reino Unido terem realizado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico no país.

"Adotaremos conclusões, reiteraremos a nossa posição conjunta, que tenho manifestado nos últimos dias em nome dos 28 Estados-Membros, sobretudo relativamente ao uso de armas químicas e à nossa resposta a isso, mas acima de tudo prepararemos a Conferência de Bruxelas da próxima semana, para que possa constituir a oportunidade de relançar o processo político de negociações mediadas pela ONU", enumerou.


A Alta Representante da UE para Política Externa, que se referia à Conferência "Suportar o Futuro da Síria e da região" que decorrerá em Bruxelas de 24 a 25 de abril, insistiu que, neste momento, é "vital retomar o processo político liderado pela ONU", e relançar conversações políticas significativas com a Síria.


"Nós sempre incentivámos e acompanhámos com medidas muito concretas as conversações de Genebra. Temos trabalhado para unir a oposição, para preparar uma delegação para as negociações, temos colaborado com organizações da sociedade civil e temos estado permanente e consistentemente com as Nações Unidas para tentar facilitar estas negociações", acentuou.


Todavia, segundo Federica Mogherini, nas rondas de conversações de paz para a Síria que decorreram em Genebra (Suíça) sempre encontraram "relutância por parte do governo sírio em iniciar negociações significativas".


"Apelámos à Rússia e ao Irão para que exercessem a sua influência em Damasco para iniciar negociações significas com as Nações Unidas, em Genebra, e como sabem sempre deixámos muito claro que estamos preparados para começar a planear a reconstrução financeira da Síria. Todavia, isto só acontecerá quando negociações políticas sérias estiverem em curso", sublinhou.


A chefe da diplomacia europeia exortou ainda "toda a comunidade internacional a assumir a sua responsabilidade" para travar a crise humanitária na Síria.


A ofensiva de sábado na Síria consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.


O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à "ação monstruosa" realizada pelo regime de Damasco contra a oposição.


Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança.


Na sequência destes ataques, e a pedido da Rússia, realizou-se uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na qual foi rejeitada uma proposta de condenação da ofensiva militar, apresentada pelos russos.


No domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, avisou que novos ataques à Síria por países europeus e Estados Unidos pode provocar "o caos" nas relações internacionais, enquanto o líder sírio, Bashar al-Assad, acusou os Estados Unidos e os seus aliados de lançarem uma "campanha de falácias e mentiras" após a ofensiva militar lançada no sábado por Washington, Londres e Paris.


Hoje, será entregue ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução sobre a Síria, que inclui um novo mecanismo de controlo sobre o uso de armas químicas. O texto, redigido pela França, abrange três áreas: química, humanitária e política, segundo fontes diplomáticas.

Lusa

  • Putin alerta para riscos de novos ataques à Síria
    1:49

    Mundo

    Vladimir Putin adverte que qualquer outro ataque dos aliados à Síria conduzirá ao caos internacional. O aviso foi partilhado ao telefone com o presidente do Irão. Donald Trump debate-se com a expressão "missão cumprida", que usou para se congratular com a operação militar conjunta.

  • Defesa dos EUA revela vídeo do lançamento de um míssil contra a Síria
    0:42

    Mundo

    O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou um vídeo do lançamento de um dos cerca de 100 mísseis que foram disparados contra a Síria na madrugada de sábado. Trata-se de um míssil Tomahawk que foi lançado pelo submarino USS John Warner. O disparo foi feito a partir do Mediterrâneo. No vídeo podem ainda ver-se imagens da descolagem de um B1-Bomber.

  • Reações contra o ataque à Síria
    2:04

    Mundo

    O Presidente sírio mandou dizer que o ataque concertado reforçou a determinação do país em continuar a lutar contra o terrorismo. O Irão diz que o bombardeamento é um crime e a Rússia acusa os aliados de bombardearem a Síria para travar a investigação que está a ser feita ao alegado ataque químico em Douma.

  • Marcelo assinala "passos importantes" na Cimeira da CPLP
    2:16
  • Manuel Pinho quer que inquérito do caso EDP seja atribuído a outros procuradores
    2:53

    País

    Manuel Pinho quer que o inquérito do caso EDP seja atribuído a outros procuradores. Numa carta enviada ao diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, a defesa do ex-ministro da Economia acusa os magistrados de imparcialidade, realçando como os procuradores do inquérito inviabilizaram as datas alternativas apresentadas pelo advogado.

  • "Os Maias" deixam de ser leitura obrigatória no secundário

    País

    Obras como "Os Maias" e "A Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queirós, vão deixar de ser de leitura obrigatória no ensino secundário a partir do próximo ano letivo. Os alunos deixam de ter indicação de uma obra específica para ler, passando o professor a escolher livremente uma obra de cada autor. O objetivo é fazer face aos programas extensos.

  • Santana diz que a concorrência é livre
    0:52

    País

    Santana Lopes sublinha que quer causar o menor dano possível ao PSD com a criação de um novo partido. O antigo primeiro-ministro diz no entanto que, apesar disso, a concorrência é livre. Isto depois de um estudo feito pela Eurosondagem mostrar que 4,8% dos inquiridos votaria num novo partido de Santana Lopes. O político diz que o número é inspirador, mas não adianta certezas sobre os próximos passos.

  • "Eu disse 'seria' quando queria dizer 'não seria'"
    1:34