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Comícios, críticas pessoais e passado marcam 1ª semana de campanha em Timor-Leste

ANTONIO DASIPARU/ EPA

Comícios multitudinários, muitas referências à história de Timor-Leste e troca de críticas pessoais e partidárias marcaram a primeira semana de campanha das principais forças políticas candidatas às eleições legislativas antecipadas timorenses de 12 de maio.

A semana ficou ainda marcada pelo tema dos grupos de artes marciais em Timor-Leste, pela divulgação dos programas partidários e por supostas mudanças de filiação de militantes de um para outro partido ou coligação.

O primeiro quarto da campanha foi passado fora da capital timorense, com ações de pequena dimensão em Díli e comícios com milhares de pessoas em vários pontos do país.

Num cenário de crescente polarização política, que marcou os últimos meses em Timor-Leste, a campanha, que começou a 10 de abril, tem sido dominada pelas duas maiores forças políticas: a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que lidera a coligação do Governo, e a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), formada pelos três partidos da oposição.

O Partido Libertação Popular (PLP), de Taur Matan Ruak, assentou grande parte da sua campanha de 2017 em ataques a Xanana Gusmão e ao seu partido, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), com quem se juntou agora na AMP.

A Fretilin e o PD, por seu lado, lideram o atual Governo minoritário.

Já a terceira força política, o Partido Democrático (PD), com menos orçamento, tem feito uma campanha em menor escala, com comícios em vários pontos do país, e com clara menor presença nas redes sociais.

Ao longo de toda a semana, as duas maiores forças políticas, as principais candidatas à vitória a 12 de maio, trocaram críticas, tanto nos comícios como nas redes sociais, com dirigentes e militantes a atacarem diretamente os líderes políticos.

De um lado estão Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, ex-líderes do braço armado da resistência timorense e números um e dois da AMP, e do outro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin e José Ramos-Horta, ambos destacados líderes do braço diplomático da resistência timorense.

Durante os últimos meses, o debate político em Timor-Leste tem sido marcado por tentativas de 'contabilizar' quem lutou mais pela resistência à ocupação indonésia, tendência que se consolidou na campanha.

Ainda que os partidos tenham dado a conhecer o seu programa - com a Fretilin e o PD, parceiros no Governo, a assentar a sua campanha no programa do executivo - os ataques pessoais, as referências ao passado e a troca de acusações dominaram o debate.

Um dos assuntos que causou mais polémica foi o relacionamento dos partidos com grupos de artes marciais, em particular depois da divulgação de imagens de Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak a serem 'jurados' no grupo Korka, considerado um dos que apoia o partido KHUNTO, que com o CNRT e o PLP foram a AMP.

Nos mesmos dias foram divulgadas imagens de Mari Alkatiri num encontro com elementos de outros grupos de artes marciais, nomeadamente a PSHT.

O tema da corrupção e do nepotismo marcou também o debate, com troca de acusações entre os principais partidos e a AMP a divulgar uma lista de empresários alegadamente próximos da Fretilin que beneficiaram de contratos nos anteriores Governos liderados pelo CNRT.

Um dos nomes mais mencionados esta semana foi o de Abílio Araújo, um dos fundadores da Fretilin que no ano passado apoiou a campanha do Partido Libertação Popular (PLP) e que, desta feita, se colocou ao lado da Fretilin, descontente com a coligação da oposição.

Outro dos nomes com muitas menções na semana foi o de Lúcia Lobato, ex-ministra da Justiça de um dos Governos de Xanana Gusmão e que foi condenada em 2012 por participação económica em negócio, que declarou o seu apoio à Fretilin.

Ainda mais do que no ano passado, as redes sociais voltam a tornar-se um megafone importante para as campanhas, com os principais partidos e coligações a divulgarem dezenas de vídeos, fotos e artigos de todos os pormenores da campanha.

A máquina eleitoral continua esta semana fora da capital timorense.

Lusa

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