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MNE da UE "entendem" intervenção militar na Síria e condenam uso de armas químicas

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) disseram hoje "entender" a intervenção militar de Estados Unidos, Reino Unido e França na Síria, e condenaram "o uso continuado e repetido" de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

"O Conselho entende que os ataques aéreos de Estados Unidos, França e Reino Unido dirigido a instalações de armas químicas na Síria foram medidas específicas tomadas com o objetivo único de prevenir o uso de armas e substâncias químicas por parte do regime sírio para matar o seu próprio povo", declararam.

Os chefes de diplomacia dos países comunitários lembraram as "persistentes e brutais violações do direito internacional" perpetradas pelo governo de Bashar al-Assad, e condenaram "veementemente o uso "continuado e repetido" de armas químicas pelo regime de Damasco, incluindo o recente ataque em Douma, que supôs "uma violação grave do direito internacional e uma afronta à decência humana".

"O Conselho apoia todos os esforços empreendidos na prevenção do uso de armas químicas", acrescenta a nota, subscrita pelos ministros dos 28 Estados-Membros, hoje reunidos no Luxemburgo, dois dias após a intervenção militar de Estados Unidos, França e Reino Unido na Síria.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros comunitários consideraram que a situação atual deve ser usada para "revigorar" o processo para encontrar uma solução política para o conflito na Síria.

"A UE reitera que não pode haver uma solução militar para o conflito. Contrariamente a esta posição, desde o ano passado que o regime sírio, apoiado pelos aliados Rússia e Irão, intensificou as operações militares, sem salvaguardar as baixas civis. A UE condena veementemente todos os ataques, deliberados e indiscriminados, contra as populações civis e contra infraestruturas como hospitais e escolas", sublinharam.

Para os ministros europeus, "a permanente e deliberada recusa e obstrução de apoio humanitário" aos que dele necessitam supõe uma "violação dos princípios humanitários internacionais" e tem de ser travada.

"A UE condena a ofensiva, apoiada pela Rússia, que causou devastação em Ghouta Oriental e apela a que as ofensivas aéreas cessem de imediato. A UE exorta todas as partes do conflito, especialmente o regime e os seus aliados, a implementar um cessar-fogo para possibilitar o acesso humanitário e a retirada de pessoas por razões médicas", defenderam.

O Conselho concluiu também que qualquer "transição política genuína" tem de resultar das conversações de paz de Genebra (Suíça), e de respeitar a integridade e soberania do território sírio, e reforçou o apoio à oposição síria no seu compromisso de construção do processo político em Genebra.

À entrada para a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, já tinha defendido que é "vital retomar o processo político liderado pela ONU", e relançar conversações políticas significativas com a Síria, nas rondas de conversações de paz que decorreram em Genebra.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram no sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à "ação monstruosa" realizada pelo regime de Damasco contra a oposição. O ataque da madrugada de sábado foi uma reação ao alegado ataque com armas químicas contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, ocorrido no dia 07 de abril e que terá provocado 40 mortos e afetado 500 pessoas.

Lusa

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