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Turquia instala rebeldes de Ghouta no enclave curdo de Afrine

As autoridades turcas estão a instalar os rebeldes retirados de Ghouta oriental, arredores de Damasco, na região síria de Afrine (noroeste), conquistada em março pelo exército turco e aliados aos curdos da Síria.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) afirmou que pelo menos 150 famílias ocuparam casas abandonadas por civis de Afrine, uma região de maioria curda, que abandonaram a região devido à operação militar curda "Ramo de Oliveira".

Os grupos que chegaram a Afrine desde março incluem combatentes do grupo islamita Legião da Misericórdia, seus familiares e outros civis que viviam em zonas rebeldes nos arredores de Damasco.

Segundo a ONG síria, sediada em Londres, com ligações à oposição e uma eficaz rede de ativistas no terreno, Abdelnaser Shmer e outros cabecilhas do grupo instalaram-se no município de Bulbul, na fronteira com a Turquia.

Este processo está a suscitar descontentamento e rejeição quer entre as pessoas retiradas de Ghouta oriental, e ainda entre os habitantes de Afrine, assinala a OSDH.

O Observatório sustém que as autoridades turcas estão a impedir o regresso a Afrine de centenas de famílias que abandonaram a região na sequência do avanço militar turco, e que há semanas aguardam em postos de controlo sob comando das forças turcas.

No comunicado, o OSDH denuncia que o processo de instalação das populações retiradas de Ghouta oriental está a decorrer "em paralelo com uma desinformação mediática e a cegueira internacional".

Os retirados de Ghouta oriental saíram do antigo bastião rebelde em finais de março após um acordo com a Rússia, aliada de Damasco, sobre a entrega de armamento pesado e médio, e a entrega do território às forças russas e sírias.

A Turquia e as milícias sírias aliadas de Ancara apoderaram-se da região de Afrine, noroeste da Síria e com tradicional maioria de população curda, numa ofensiva que decorreu entre finais de janeiro e meados de março.

Esta operação implicou o controlo da cidade de Afrine, "capital" da região, em 18 de março, e a expulsão da região das Unidades de Proteção Popular (YPG), a principal milícia curdo-síria. Ancara define as YPG de "terroristas" pelos seus vínculos com a guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atua no sudeste da Turquia, outra região com maioria de população curda.

Na sexta-feira, a ONU alertou para a gravidade da situação humanitária na Síria devido ao "descolamento em massa" de cerca de 700.000 pessoas apenas em 2017. O organismo internacional destacou a gravidade da situação em regiões como Ghouta oriental, Idleb, Afrine ou Raqa.

Lusa