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Marisa Matias acusa Macron de atuar como "um pequeno Napoleão" no ataque à Síria

Vincent Kessler

A eurodeputada Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, acusou esta terça-feira em Estrasburgo o Presidente francês, Emmanuel Macron, de ter agido como "um pequeno Napoleão" ao decidir atacar a Síria, juntamente com EUA e Reino Unido, "sem consultar rigorosamente ninguém".

"Senhor Macron, o senhor apresentou-se aqui como Presidente de França, mas na realidade parece pensar que é um pequeno Napoleão. É que veio fazer uma declaração de amor à democracia, disse mesmo que a democracia não é uma palavra oca, e eu pergunto-lhe: que democracia? A democracia que decidiu executar há menos de uma semana, quando unilateralmente com (Donald) Trump e (Theresa) May avançou para o ataque sobre a Síria sem consultar rigorosamente ninguém?", questionou.

Marisa Matias intervinha no debate no Parlamento Europeu sobre o "Futuro da Europa" com o Presidente francês, o quarto líder europeu a participar no ciclo de discussões no hemiciclo com chefes de Estado ou de Governo da União Europeia (depois do primeiro-ministro, António Costa, o convidado da sessão plenária de março passado), e que perante a assembleia justificou a recente intervenção militar na Síria.

"A sua conceção de democracia não tem cidadãos? Não tem parlamentos? Não ouviu sequer a assembleia francesa? Ridicularizou as instituições europeias. É essa a sua conceção de democracia? Senhor Presidente, a sua conceção de democracia não é oca, é inexistente. A sua conceção de democracia é napoleónica", prosseguiu Marisa Matias, dirigindo-se ao chefe de Estado francês.

"Se o senhor quer paz no Médio Oriente, tem um bom remédio: pare de vender armas. Está numa ótima posição para fazê-lo", concluiu a deputada do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu.

Na sua intervenção, Macron defendeu que a operação militar do passado sábado, realizada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido na Síria, foi legítima e considerou que não se pode compará-la às intervenções em países com o Iraque e Líbia.

" (Bashar) Al-Assad está em guerra com o seu povo. Tínhamos o dever de intervir para defender os nossos valores. Além disso, as resoluções das Nações Unidas previam o uso de força", apontou, sublinhando que "esta intervenção de França e outros não tem nada a ver com o Iraque e Líbia", porque não foi declarada guerra à Síria.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram no sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.

Lusa

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