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Vice-presidente de Cuba é o único candidato oficial a substituir Raúl Castro

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O atual vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, foi esta quarta-feira proposto na Assembleia Nacional do Poder Popular como próximo Presidente do país, em substituição de Raúl Castro, de 86 anos, que abandona o cargo após dois mandatos.

Díaz-Canel, de 57 anos, é o nome apresentado pela Comissão de Candidaturas Nacional (CCN) para encabeçar o órgão máximo de governação do país, o Conselho de Estado, uma candidatura que será agora submetida à votação da recém-constituída Assembleia, sendo o resultado anunciado na quinta-feira.

Ao reunir-se para uma sessão de dois dias destinada a nomear o novo Presidente da ilha caribenha, o parlamento cubano inicia assim uma transição histórica, após seis décadas de poder exclusivo dos irmãos Castro.

Depois de inaugurarem a nova legislatura e prestarem juramento, na presença do Presidente e do número dois do regime, Díaz-Canel, os deputados votaram para nomear os seus líderes e escolherão em seguida, de entre as suas fileiras, os 31 membros do Conselho de Estado e o Presidente deste órgão executivo supremo, que sucederá a Raúl Castro.

Segundo os meios de comunicação estatais, apesar de o escrutínio se realizar durante a tarde de hoje, a identidade do novo Presidente cubano só será revelada na quinta-feira, a partir das 09:00 locais (14:00 de Lisboa).

Desde a revolução de 1959, Cuba só conheceu uma verdadeira transição na sua liderança: em 2006, quando o líder histórico, Fidel Castro, doente, passou o testemunho ao irmão mais novo, após 40 anos de poder não-partilhado.

Raúl Castro efetuou uma série de reformas outrora impensáveis, como a abertura da economia à pequena iniciativa privada, e, acima de tudo, realizou uma bem-sucedida reaproximação ao antigo inimigo norte-americano da guerra fria.

Em 2015, Cuba e os Estados Unidos reataram relações diplomáticas e, no ano seguinte, o então Presidente, Barack Obama, fez uma histórica visita à ilha.

Mas desde a chegada à Casa Branca do magnata republicano Donald Trump, a normalização de relações entre os dois países foi alvo de uma travagem brusca.

Fidel morreu no final de 2016 e é agora a vez de Raúl, de 86 anos, ceder o lugar a um representante da nova geração: o civil Miguel Díaz-Canel, um homem do sistema, vice-presidente desde 2013 e que foi preparado para lhe suceder, representando há vários anos regularmente o Governo em missões no estrangeiro e cujas aparições na imprensa são cada vez mais frequentes.

Partidário da instalação generalizada da internet na ilha, Díaz-Canel tem sabido transmitir uma imagem moderna, embora sendo parco em declarações.

Mas sabe também ser intransigente em relação aos dissidentes e a diplomatas demasiado inclinados a criticar o regime, como demonstrou um vídeo divulgado no ano passado na sequência de uma fuga de informação.

Se for escolhido como novo Presidente, este engenheiro eletrotécnico nascido após a revolução deverá impor-se e prosseguir a indispensável "atualização" do modelo económico da ilha esboçado pelo mais novo dos irmãos Castro, o que poderá revelar-se uma missão difícil para um homem de perfil discreto que gravitou na sombra dos corredores do poder e que os cubanos conhecem pouco.

Pela primeira vez em décadas, o Presidente não terá conhecido a revolução de 1959, não envergará a farda verde azeitona e não dirigirá o Partido Comunista Cubano (PCC).

Mas poderá colmatar esse défice de legitimidade graças a Raúl Castro, que se manterá na liderança do poderoso partido único até 2021, cargo em que mobilizará a velha guarda dos "históricos", na maioria reticentes em relação às reformas mais ambiciosas.

"Será interessante observar se [Díaz-Canel] é capaz de resistir à pressão desta missão", comentou Paul Webster Hare, professor de Relações Internacionais em Boston e ex-embaixador britânico em Cuba.

"Fidel e Raúl nunca tiveram que justificar as suas posições. Eles tinham liderado a revolução e ninguém punha em causa o seu 'direito' de serem dirigentes. Mas eles não criaram o modelo democrático que permitisse conduzir a uma mudança, é uma das principais razões pelas quais Díaz-Canel enfrenta uma tarefa árdua", acrescentou.

Em nome da continuidade do sistema, o candidato oficial ao cargo de novo Presidente cubano nunca apresentou um programa, mas deverá ter em conta "linhas diretrizes" aprovadas pelo partido único e pelo parlamento, que traçam as metas políticas e económicas a alcançar até 2030.

Na opinião dos especialistas, as expectativas em relação ao desempenho do futuro Presidente são sobretudo na área económica, quanto à sua capacidade para realizar as reformas necessárias para relançar uma economia estagnada (1,6% em 2017) e fortemente dependente das importações e da ajuda do seu aliado venezuelano -- neste momento em crise.

Lusa

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