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Descobertas duas páginas escondidas do diário de Anne Frank

A Fundação Anne Frank revela o texto que estava ocultado.

Peter Dejong / Reuters

Anne Frank tentou esconder duas páginas que escreveu no seu diário com conteúdo sexual. "Piadas malandras", como a própria diz, e reflexões sobre sexo, contraceção e prostituição foram tapadas com papel kraft, mas agora reveladas pelas novas tecnologias.

"Vou utilizar esta página para escrever piadas malandras", anotou a 28 de setembro de 1942. A adolescente de 13 anos escreveu de seguida quatro piadas e acrescentou 33 linhas com reflexões sobre educação sexual.

"Por vezes imagino que alguém vem ter comigo a pedir-me informações sobre assuntos sexuais", escreveu Anne em holandês. "O que responderia?" questiona, tentando depois dar uma resposta ao interlocutor imaginário, usando frases como "movimentos ritmados", para descrever o sexo, e "medicamento interno", uma referência aos contracetivos. Também menciona a menstruação, "um sinal de que ela está madura", e a prostituição: "em Paris têm grandes casas para isso".

Depois camuflou o que escreveu, cobrindo com papel kraft, muito provavelmente com receio que alguém lesse, sobretudo o pai.

"O papá resmunga outra vez e ameaça retirar-me o meu diário. Horror dos horrores, a partir de agora vou escondê-lo", escreveu a 3 de outubro de 1942.

As páginas do diário ocultadas com papel kraft.

As páginas do diário ocultadas com papel kraft.

annefrank.org

Mas as novas tecnologias permitiram agora aos investigadores, mais de 70 anos depois, revelar o que estava escrito debaixo do papel castanho, anunciaram esta terça-feira, 15 de maio, a fundação Casa Anne Frank e outras duas instituições culturais holandesas.

Teremos o direito de expor o que Anne quis esconder?

Na conferência de imprensa em que foi revelado o conteúdo das páginas, os responsáveis foram questionados sobre o direito de expor aquilo que Anne Frank queria manter privado.

Defendendo a sua decisão de divulgar estes novos textos, a fundação explicou que "durante décadas, Anne tornou-se um símbolo mundial do Holocausto e Anne, a jovem rapariga, foi relegada para segundo plano".

"E estes textos trazem para primeiro plano a curiosa e, em muitos aspetos, adolescente precoce", sublinhou o diretor da fundação Ronald Leopold. "São muito interessantes e ajudam a compreendermos melhor o diário".

Revelam a tentativa de Anne enveredar para uma escrita mais literária. "É um começo cauteloso para se tornar escritora. Ainda estava no início", afirmou Ronald Leopold.

O anexo secreto em Amesterdão

Em 1942, Anne, a família e uns amigos refugiaram-se num anexo secreto do edíficio de escritórios da empresa de Otto Frank em Amesterdão para fugir aos nazis. Durante os anos em que estiveram escondidos, a jovem escreveu dois diários.

Estas duas novas páginas estavam incluídas no primeiro diário, um caderno com capa de xadrez vermelho, que começou a escrever aos 13 anos. Um segundo diário foi escrito até 1 de agosto de 1944, última entrada no manuscrito.

A 4 de agosto a família Frank e os outros escondidos no anexo são descobertos e detidos pelos nazis. São deportados para Westerbork, depois para Auschwitz.

Anne Frank morreu em Bergen-Belsen aos 15 anos, poucos meses antes do fim da II Guerra Mundial.

Publicado dois anos mais tarde, o seu diário tornou-se um símbolo e vendeu 30 milhões de exemplares.

Réplica do diário original de Anne Frank.

Réplica do diário original de Anne Frank.

Michael Conroy / AP

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