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México considera "grave" Trump classificar migrantes mexicanos como "animais"

Leah Millis

O Governo do México definiu esta quinta-feira como "grave" a afirmação do Presidente dos Estados Unidos em classificar migrantes mexicanos como "animais", considerando que Donald Trump proferiu palavras "absolutamente inaceitáveis".

O ministro dos Negócios Estrangeiros do México, Luis Videgaray, disse numa entrevista à Rádio Fórmula que "é uma declaração grave, que, na opinião do Governo do México, é absolutamente inaceitável".

Videgaray sustentou que a afirmação do Presidente dos Estados Unidos tem uma implicação "extraordinariamente perigosa" porque constitui um não reconhecimento dos direitos humanos.

"É incompreensível que se atente desta maneira contra o princípio fundamental do Estado de Direito", acrescentou, revelando que o México enviará hoje para o Departamento de Estado norte-americano uma comunicação formal, através da sua embaixada em Washington, para expressar desacordo com as palavras de Trump.

No entender do membro do Governo mexicano, "está-se a abrir uma porta muito perigosa, na tentativa de legitimar o não reconhecimento dos direitos humanos, independentemente de uma determinada pessoa pertencer a um grupo criminoso".

Pese embora a afirmação de Donald Trump, o ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano garantiu que o país vizinho dos Estados Unidos prosseguirá com as negociações do Tratado de Livre Comércio da América do Norte "sem medo" e com "seriedade", defendendo os interesses do México e sem mudar de atitude.

"Não é um jogo em que vamos cair", sublinhou, na entrevista radiofónica, em que reagiu à afirmação de Trump, que acusou o México de "nada fazer" para ajudar os Estados Unidos no fluxo de migração ilegal na fronteira.

"Temos pessoas que entram no nosso país e que vocês não querem por serem maus. Não são pessoas, são animais, mas estamos a tirá-los do país num ritmo nunca antes visto", disse Trump, alegadamente em referência a membros de grupos criminosos como o MS-13 (Mara Salvatrucha).

Na quarta-feira, na Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos encontrou-se com autoridades locais da Califórnia que se opõem às políticas de imigração naquele estado norte-americano e que aplaudiram os esforços da Administração Trump.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, assinou no ano passado uma lei que impede a polícia de ajudar os agentes federais com a imigração.

Brown insiste que a legislação, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2018, não impede que as autoridades federais de imigração desenvolvam o seu trabalho, mas a administração Trump considerou as políticas inconstitucionais e perigosas e agiu para reverter a lei.

Lusa

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