Mundo

Eleitor de 141 anos levanta suspeitas de eventual fraude eleitoral no Zimbabué

Tsvangirayi Mukwazhi

A pessoa mais velha do mundo tem 141 anos e vive no Zimbabué, segundo os cadernos eleitorais, que contabilizam um outro eleitor centenário, com 134 anos, levantando suspeitas sobre a credibilidade da votação presidencial marcada para finais de julho.

As eleições de 30 de julho serão as primeiras em que está ausente o líder de longa data daquele país africano, Robert Mugabe, mas o principal partido da oposição tem denunciado os riscos de fraude, apontando nomeadamente as falhas dos cadernos eleitorais.

Hoje, milhares de pessoas manifestaram-se na capital, Harare, pedindo maior transparência, enquanto dançavam e exibiam cartazes dizendo: "Sem reformas não há eleições".

Embora o Presidente Emmerson Mnangagwa, que chegou ao poder quando Mugabe foi obrigado a abandonar o cargo, e a comissão eleitoral prometam eleições livres e justas, os problemas dos cadernos eleitorais aumentam os receios de que o governo do Zimbabué não consiga romper com um longo passado de alegadas fraudes eleitorais.

O elevado número de eleitores idosos é apenas uma das preocupações. Nos cadernos constam também mais de 100 pessoas registadas na mesma morada e várias pessoas com o mesmo número de identidade, segundo o principal agente eleitoral da oposição, Jameson Timba.

"Não vamos ceder", disse hoje o líder da oposição, Nelson Chamisa, acusando a comissão eleitoral, os militares e Mnangagwa de tentar falsear a votação. Chamisa participa numa coligação de pequenos partidos que também participaram na manifestação e entregaram uma petição com as suas reivindicações à comissão eleitoral.

"Da próxima vez que fizermos uma manifestação, ninguém voltará para casa até que nossas exigências sejam atendidas. Vamos acampar aqui", afirmou Chamisa.

As suspeitas da oposição estendem-se à impressão, armazenamento, design e até à qualidade do papel dos boletins de voto.A confiança no ato eleitoral é tão baixa que a oposição tem encorajado os seus apoiantes a levarem as próprias canetas para as mesas de voto, porque não confiam nos que foram fornecidos.

Mnangagwa, um antigo aliado de Mugabe até ser demitido depois de uma luta interna pelo controlo do poder partidário, está sob pressão para permitir uma eleição livre e justa, um passo fundamental para o levantamento das sanções internacionais.

Eleições anteriores no Zimbabué foram marcadas por acusações de violência e fraude. Mugabe baniu os observadores eleitorais ocidentais, mas Mnangagwa recebeu-os pela primeira vez em quase duas décadas.

Os observadores da União Europeia e dos Estados Unidos manifestaram preocupações semelhantes às da oposição.Mnangagwa, que lidera o partido do governo ZANU-PF e a comissão eleitoral defendem a credibilidade da votação. A presidente da comissão eleitoral, Priscilla Chigumba, rejeitou as exigências da oposição, que incluem tocar no boletim de voto ou examiná-lo de perto, alegando que os representantes do partido foram autorizados a ver os boletins à distância no mês passado.

Segundo um outro candidato da oposição, Noah Manyika tiveram de manter uma distância de 10 metros.Chigumba, ex-juiz do Supremo Tribunal disse que é ilegal a inspeção física dos boletins por parte de partidos políticos, considerando as reivindicações como "um abuso do direito à transparência".

A presidente da comissão eleitoral também negou problemas com os cadernos eleitorais, que só foram divulgadas aos partidos e ao público após pressão e decisão judicial.A mesma responsável disse que os erros nos cadernos estão a ser corrigidos e que o caso da morada única onde estão inscritos mais de 100 eleitores "é um santuário religioso com 122 eleitores.

"Ganhar confiança nas poucas semanas que restam antes do escrutínio será um desafio.

De acordo com uma sondagem divulgada no fim de semana pelo Conselho das Igrejas do Zimbabué, 58% dos eleitores inscritos não confiam na comissão eleitoral.

As igrejas inquiriram mais de 1.600 pessoas de Bulawayo, um reduto da oposição, e da província de Midlands, que tem opositores e apoiantes do partido no poder.

Lusa

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