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Crime de 1955 no Mississípi volta a ser investigado

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O Governo dos Estados Unidos da América decidiu reabrir a investigação à morte de um jovem afro-americano de 14 anos. O crime aconteceu no Mississípi, em 1955, numa altura e local onde a segregação racial e os ataques à comunidade negra eram uma realidade do dia a dia.

O Departamento de Justiça justifica a abertura do processo com as "novas informações" que recebeu acerca do falecimento de Emmett Till. O jovem de 14 anos foi morto depois de uma mulher o acusar de assédio físico e verbal.

As autoridades não revelaram pormenores sobre as "novas informações", mas, segundo a BBC, um livro lançado recentemente pode estar na origem da abertura do caso. "The Blood of Emmett Till" cita a mulher a admitir que mentiu no depoimento à polícia sobre as ações de Emmett Till.

"Nada do que aquele rapaz fez justificaria alguma vez o que lhe aconteceu", confessou Carolyn Donham, numa entrevista em 2008 citada pela emissora britânica.

Perante esta nova informação, os familiares do jovem exigiram a reabertura do caso, que foi fechado em 2007, depois de as autoridades anunciarem que todos os suspeitos da morte de Emmett estavam mortos.

Quem foi Emmett Till?

No dia 24 de agosto de 1955, o jovem de 14 anos dirigiu-se a uma loja da zona rural do Mississípi para comprar pastilhas. Na altura, Carolyn Donham estava a trabalhar na loja, enquanto o marido - o gerente - estava fora.

Carolyn Donham

Carolyn Donham

GENE HERRICK

O que aconteceu entre Emmett e a mulher não é claro, mas quando o marido chegou, foi levado a acreditar que o jovem afro-americano tinha assediado a mulher.

Emmett terá sido arrancado da cama, espancado e baleado na cabeça. A violência foi tal que a sua cara estava irreconhecível, quando o corpo foi encontrado, três dias depois, num rio.

Os dois suspeitos do crime foram absolvidos de homicídio por um júri. No ano seguinte, os dois homens admitiram a responsabilidade da morte de Emmett numa entrevista, mas defenderam também que não tinham feito nada de mal.

John W. Milam e Roy Bryant admitiram , em 1956, que tinham morto Emmett Till.

John W. Milam e Roy Bryant admitiram , em 1956, que tinham morto Emmett Till.

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A morte de Emmett Till gerou grandes manifestações pelo país. Uma delas organizada pelo próprio Martin Luther King Jr., o ativista norte-americano que lutou pelos direitos civis da comunidade negra. E Rosa Parks admitiu, mais tarde, que estava a pensar no Emmett durante o seu famoso protesto, no qual se recusou a dar o lugar num autocarro a uma passageiro caucasiano.

Ativistas de Chicago protestaram em frente à Casa Branca contra a morte de Emmett Till.

Ativistas de Chicago protestaram em frente à Casa Branca contra a morte de Emmett Till.

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A segregação racial e os linchamentos no sul dos Estados Unidos da América foram uma realidade durante muitos anos. A violência era usada para intimidar as comunidades negras e os afro-americanos eram perseguidos, espancados e, muitas vezes, mortos.