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Anselmo Crespo

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Morte às offshores

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Grande parte dos problemas do mundo não se resolvem por três motivos: falta de coragem política, hipocrisia e interesse. As offshores, que são claramente um dos problemas mais antigos com que nos debatemos, encaixam que nem uma luva nestes três motivos. Existem por falta de coragem política de alguns, para interesse de muitos e graças à hipocrisia de outros tantos.

As offshores nasceram como uma forma de atrair investimento. Esse investimento devia gerar riqueza. Essa riqueza devia servir para criar emprego. E esse emprego devia melhorar a qualidade de vida das pessoas. As offshores não cumprem nenhum destes papéis.

A discussão sobre este assunto é antiga. Ela surge de cada vez que um banco vai à falência, deixa milhares de clientes com uma mão à frente e outra atrás, e depois se descobre que os donos disto tudo têm milhões escondidos lá fora. De cada vez que um país entra em crise e depois se descobre que essa crise podia ter sido evitada se cada contribuinte pagasse os seus impostos. É nestas alturas que aparecem os manifestos, as promessas de grandes mudanças e de mais regulação. É nestas alturas que todos se indignam, até os que hipocritamente têm dinheiro em offshores ou conhecem quem tenha. Indignam-se, imagine-se, os que gerem, eles próprios, offshores. Sim, não é preciso uma palmeira e uma praia de areia fina com água cristalina para se ser um paraíso fiscal. O que não falta na Europa são paraísos fiscais.

Não é, aliás, por acaso que as offshores ganharam o título de paraísos fiscais. Um paraíso é, por definição, um local onde ninguém nos perturba, onde relaxamos e fugimos dos problemas. Ora, uma offshore é uma zona do mundo onde o dinheiro não é perturbado por impostos e onde o proprietário desse dinheiro pode relaxar e fugir legalmente ao fisco. O dinheiro que é lá depositado tem um dono, uma origem e um destino. Mas ninguém conhece. Nem a origem, nem o destino e muito menos o dono. É dinheiro foragido, mas não fora da lei. Sim, as offshores são legais. Mas nem tudo o que é legal é ética e moralmente aceitável.

Branco mais sujo não há. As offshores são verdadeiras máquinas de lavar dinheiro que é depois colocado a circular imaculado. Mas são também, em parte, as grandes responsáveis pela austeridade que se abateu no últimos anos sobre muitos países, incluindo Portugal. Cada cêntimo (ou cada milhão, que é mais o caso) que é colocado numa offshore é menos um cêntimo, ou menos um milhão, que não serviu para redistribuir melhor a riqueza, que não ajudou a baixar os impostos a outros e, sobretudo, que não impediu a falência de Estados.

Morte às offshores. Porque a morte é, neste caso, a única forma de cortar o mal pela raiz. Os que fogem aos impostos vão encontrar outra forma criativa de o fazerem? Vão. Mas pelo menos não fingimos que mudamos tudo para deixar tudo na mesma.

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