sicnot

Perfil

Bernardo Ferrão

Opinião

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

Opinião

Sr. Presidente há mais vida além das medalhas!

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

Desengane-se quem acha que Marcelo Rebelo de Sousa vai acalmar a sua desenfreada intervenção pública. Não há volta a dar. O Presidente avisou-nos quer ia ser hiperativo. Não é defeito, é feitio.

Ninguém tem dúvidas que Marcelo trouxe um estilo novo, e está mesmo a recrear o cargo de Presidente da República. Se com Cavaco Silva o lugar foi sacralizado e os muros do palácio cor-de-rosa tornaram-se intransponíveis, com Marcelo é tudo a abrir - Belém parece agora uma espécie de casa do povo. É positivo que o poder desça a terra e se aproxime dos eleitores, mas é também arriscado e pode resvalar num exercício autocentrado e várias vezes a roçar o populismo.


Não quero com isto dizer que Marcelo não possa distribuir comendas, medalhas, afetos e comentários em cada esquina. O que questiono é a forma, ou melhor, a mensagem que está a deixar em cada declaração. Mesmo correndo em pista própria, Marcelo não pode deixar que a sua agenda se sobreponha a tudo o resto.


Faz algum sentido que o Presidente fale como falou da Caixa Geral de Depósitos, garantindo soluções à vista quando elas não se vislumbram - e quando o banco público está como está? Faz algum sentido que o Presidente comente o Brexit num comunicado "contristado" e depois numa declaração fugidia no final de uma das tantas visitas que faz por semana - quando o assunto é grave e exigia um tom e um enquadramento mais formal? Faz algum sentido que o Presidente corra a garantir que vai pagar a sua parte da viagem de Falcon só porque o Correio da Manhã fez notícia (sensacionalista) dessa deslocação?


O Presidente tem de ser escutado, o poder da palavra é o seu bem maior. Mas quantos de vós já não mudaram de canal quando o vêm pela enésima vez? Não quero com isto dizer que defendo um cinzentão para Belém, não, mas o país também não precisa de um chefe de Estado em estado fosforescente.


É como se nos quisessem embebedar com shots diários (e quase horários) de Marcelo. Cuidado: depois da bebedeira vem a ressaca.


Quando chegou a Belém, Marcelo trazia o desafio de "descrispar" o país. No que toca à política, está a falhar. Consensos, como era óbvio, nem vê-los. E a tensão governo-oposição está numa escalada que só tende a piorar - veja-se o caso de Correia de Campos, ou mais recente entrevista de Passos Coelho. O país prossegue neste rumo insuportável, o PSD desorientado - e a apostar no "desastre"- e o Governo orientado apenas e só pelo jogo político de culpar o passado.


É neste tempo de difíceis equilíbrios, e profundas divisões que o papel do Presidente se torna ainda mais fundamental. A sua popularidade dá-lhe peso, não para ser o líder da oposição, e muito menos para se comportar como o chefe da banda. Do Presidente espera-se ponderação, gravitas e acima de tudo a devida distância. A convocação dos partidos e parceiros sociais para Belém é o sinal maior de que as coisas não estão bem. Marcelo sabe-o bem, mas entretanto vai afastando o mais que pode a crise política. Enquanto houver medalhas para distribuir para que preocupar-nos com coisa tão chatas como o défice, a dívida ou as sanções.


(São 19h de quinta-feira, Marcelo já falou duas vezes aos jornalistas. Está agora em direto nas televisões. No rodapé pode ler-se: Presidente da República comenta assuntos da atualidade…)

  • BE diz que é urgente preparar o país para a saída do euro
    1:10

    País

    Catarina Martins diz que é urgente preparar o país para o cenário de saída do euro. No final da reunião da mesa nacional do Bloco de Esquerda, a coordenadora do partido criticou o encontro de líderes europeus em Roma e disse ainda que a Europa da convergência chegou ao fim.

  • "Mais UE não significa mais Europa"
    0:50

    País

    O secretário-geral do PCP insiste nas críticas à União Europeia. Um dia depois da comemoração dos 60 anos do Tratado de Roma, Jerónimo de Sousa defendeu, no Seixal, que o modelo europeu está esgotado e prejudica vários países, incluindo Portugal.

  • Aplicação WhatsApp acusada de permitir conversas secretas entre terroristas
    1:45
  • "Um Lugar ao Sol"
    17:05
    Perdidos e Achados

    Perdidos e Achados

    SÁBADO NO JORNAL DA NOITE

    O Perdidos e Achados foi conhecer como eram as férias de outros tempos. Quando o Estado Novo controlava o lazer dos trabalhadores e criava a ilusão de um país exemplar. Na Costa de Caparica, onde é hoje o complexo do INATEL estava instalada a maior colónia de férias do país, chamava-se "Um Lugar ao Sol".