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Luís Costa Ribas

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Luís Costa Ribas

Correspondente SIC

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Democratas arrasam Trump e Obama eleva Hillary

Luís Costa Ribas

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"Não conheço a América de Trump, de ressentimento e ódio. Vejo americanos de todos os partidos, de todas as origens, de todas as fés, que acreditam que juntos somos mais fortes, jurando fidelidade, sob a mesma bandeira orgulhosa, a este grande país, arrojado que amamos. Essa é a América que eu conheço."

Há quatro anos, em Charlotte, Bill Clinton proferiu um discurso notável que ajudou a reorientar e solidificar a lógica para a reeleição de Barack Obama. No que foi uma dos seus discursos mais relevantes, Clinton explicou todas as razóes porque os americanos deviam votar em Obama e mantê-lo mais quatro anos na Casa Branca. Funcionou.

O favor não foi esquecido. E na noite passada, um Obama inspirado veio em defesa de outro Clinton. Hillary a candidata presidencial: “Nunca houve um homem ou uma mulher, nem eu, nem Bill (Clinton), mais qualificado para ser dos Estados Unidos”.

Prometendo aos “demagogos da casa” o fracasso dos seus intentos, Obama sublinhou os valores americanos que o candidato republicano Donald Trump maltrata mas que, na sua opinião, são vividos e respeitados por Hillary Clinton. Defendendo o seu legado, o Presidente disse que a “América que eu conheço tem coragem, optimismo, criatividade, generosidade e decência”, muito longe da visão Trumpiana de um “país pessimista e sem soluções” que os republicanos na sua convenção exortam ao “ressentimento, culpabilização, irritação e ódio”.

"Eu vejo americanos de todos os partidos, de todas as origens, de todas as fés que acreditam que juntos somos mais fortes - negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, jovens e velhos, homossexuais, heterossexuais, homens, mulheres, pessoas com deficiência -, todos jurando fidelidade, sob a mesma bandeira orgulhosa, a este país grande, arrojado que amamos. Essa é a América que eu conheço”.

E para a qual pede o apoio dos eleitores às liderança de Hillary Clinton. Uma Hillary que “nunca desiste”, que “sabe ouvir”, que respeita a todos, que tem “o temperamento e a experiência” para combater o terrorismo e os excessos da Wall Street. Uma pessoa e, quem se pode confiar.

Obama apontou o dedo a Trump, acusando-o de se “aconchegar com Putin” ao mesmo tempo que faz comentários pejorativos sobre as forças armadas americanas. “A América é grande, a América é forte, e para o ser não depende de Donald Trump”. Acusando Trump de querer vencer amedrontado as pessoas, Obama diz que os americanos não são um povo assustadiço e frágil: "Essa é outra aposta que Donald Trump vai perder. O nosso poder não vem de nenhum auto-proclamado salvador, prometendo que só ele pode restaurar a ordem. Nós não estamos à espera de ser súbditos”.

"Esta noite, peço-vos para fazerem por Hillary Clinton o que fizeram por mim. Peço-lhes que a ajudem da mesma forma que me ajudaram. Porque era de vocês que eu falava quando há 12 anos atrás, falei sobre a esperança – foram vocês que alimentaram a minha fé obstinada em nosso futuro, mesmo quando as hipóteses são poucas e mesmo quando o caminho é longo. Esperança face às dificuldades, esperança face à incerteza, a audácia da esperança”, implorou Obama, que vê na eleição de Hillary a defesa do seu legado presidencial.

Foi uma noite memorável para os democratas, com os ataques mais concertados, certeiros e intensos a Donald Trump. Num claro contraste com a convenção republicana, nomes importantes do Partido Democrático, tal como tinham feito segunda e terça-feira, apresentaram Hillary Clinton como uma escolha preparada e sensata para a Presidência, em oposição à imprevisibilidade irracional de Donald Trump, mais uma vez exposta no convite à Rússia para espiar redes informáticas americanas -censurada até pelo seu próprio candidato a vice-presidente, Mike Pence: “têm de haver consequências graves se a Rússia está a interferir no processo eleitoral dos EUA. Ambos os partidos e o Governo dos EUA devem assegurar que (o hacking) terá graves consequências”, disse, criticando Trump.

Também o líder republicano na Câmara dos Representantes, através do seu porta-voz, fez saber que “a Rússia é uma ameaça global, dirigida por um bandido desonesto. Putin deve manter-se afastado desta eleição”.

Há uma semana, em Cleveland, Donald Trump pôs em causa o artº 5º da carta da NATO que constitui a alma da Aliança, disse que não autorizaria ajuda militar à Ucrânia, admitiu mais recentemente estudar a possibilidade de a anexação da Crimeia ser permanente e aceita ceder a iniciativa à Rússia na Síria. E enquanto apresentava uma política externa de cedências a Moscovo, traçava uma visão apocalíptica da América, afogada em crime, inundada por imigrantes, cercada de terroristas, sufocada por divisões raciais. É uma realidade alternativa, a que ele quer responder com opressão religiosa, victimização dos imigrantes e a promessa de resolver o problema do crime (que está aos níveis mais baixos dos últimos 40 anos) e do terrorismo (uma guerra de mais de uma década, sem soluções mágicas) no dia em que chegar à Casa Branca.

Para o vice-presidente, Joe Biden, visão democrata é a de que o país tem desafios que deve enfrentar com competência e racionalidade - nenhuma das quais existe na postura de Donald Trump. “Não faz ideia o que é a classe média”. Leon Panetta, ex-secretário da Defesa e director da CIA, acusou Trump de “tomar o partido da Rússia”, o que considerou irresponsável e “perigoso para o nosso futuro”. Michael Bloomberg, o bilionário ex-mayor de Nova Iorque descreveu Trump como um “perigoso demagogo”: “Eu sou nova-iorquino. E os nova-iorquinos reconhecem uma vigarice quando a vêem”.

Tim Kaine, candidato democrata à vice-presidência, atacou Trump como uma pessoa em que só se pode confiar por conta e risco de cada um. E lembrou todos os que faliram ou foram despojados das suas poupanças pelas vigarices de Trump: os aposentados a quem ficou com as entradas mas não construiu as casas; os pequenos empreiteiros a quem não pagou as obras de construção do seu casino de mil milhões de dólares, os alunos da chamada Universidade Trump. “O nosso pais é bom demais para ficar nas mãos de um demolidor”.

Mas a confiança não é só um problema de Trump. As sondagens indicam que, para mais de 65% dos eleitores Hillary Clinton é uma pessoa e que não se pode confiar. Para os democratas essa é uma caricatura que esperam desfazer nesta convenção. Para isso, de todos os discursos, o mais importante é o que a própria Hillary Clinton vai proferir, na madrugada de sexta-feira.

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