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Luís Costa Ribas

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Luís Costa Ribas

Correspondente SIC

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Clinton arrasa Trump e promete governo abrangente e dialogante

Luís Costa Ribas

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“Imaginem [Trump] na Sala Oval enfrentando uma crise. Um homem que pode ser provocado com um tweet não é um homem a quem podemos confiar armas nucleares”. Esta foi talvez a frase mais forte do discurso com que Hillary Clinton encerrou a convenção democrata, esta madrugada, em Filadélfia.

A candidata presidencial, a primeira viável nos 240 anos de história do país, construiu a imagem de um Donald Trump contrário às ambições e sonhos do americano comum, um mercador de medo, um divisionista. Um perigoso egocêntrico.

Clinton rebateu a asserção algo fascista de Trump, na semana anterior, de que “só eu posso resolver os problemas”. “Verdade? Ele não se está a esquecer das tropas na linha da frente? Dos polícias e bombeiros que correm em direção ao perigo? Dos médicos e enfermeiros que cuidam de nós? Dos professores que mudam vidas? Dos empresários que veem possibilidades em cada problema? Das mães que perderam filhos para a violência e estão a construir um movimento para manter outros filhos em segurança? Ele não está a esquecer cada um de nós? Os americanos não dizem: 'Só eu posso resolver'. Nós dizemos: 'Nós resolvemos juntos'".

Hillary Clinton ofereceu-se como alternativa: líder de uma América de inclusão e ambição, que rejeita o medo e o divisionismo. Ofereceu um plano económico dirigido aos mais desfavorecidos e à classe média, falou de segurança e determinação para derrotar o terrorismo e, em geral, dar algo a cada sector do eleitorado, sobretudo à classe trabalhadora branca que apoia Trump e os jovens que apoiam Bernie Sanders. O discurso foi eficaz, mas não brilhante, cumprindo o objetivo central de sublinhar a incapacidade e incompetência de Trump para governar, o seu histórico de explorar quem trabalha para ele e de enganar pequenos empreiteiros. E de, por outro lado, salientar que a vida pública de Hillary Clinton tem os ingredientes necessários para períodos atribulados como o presente, seja a combater o terrorismo ou a promover o desenvolvimento económico: calma, sensatez e experiência.

Hillary teve, antes do seu discurso, um dos momentos mais poderosos da convenção, quando o americano Khzir Khan, um imigrante muçulmano, falou do seu filho, cidadão americano e capitão do exército, que morreu na Guerra do Iraque a salvar os seus soldados de um ataque suicida e foi condecorado postumamente. Khan insurgiu-se contra as restrições que Trump pretende impor aos muçulmanos e disse duvidar que o candidato republicano alguma vez tenha lido a Constituição. Tirando um exemplar do bolso, disse: “Com todo o gosto lhe empresto a minha cópia. Veja as definições de liberdade e proteção igual sob a lei. Vá ao cemitério nacional de Arlington, às campas de todos os géneros e religiões. Você nunca sacrificou nada nem ninguém.”

A convenção democrata incluiu ainda uma homenagem aos soldados caídos em combate e um tributo à candidata por um grupo de generais e almirantes na reserva e veteranos das forças armadas. Um comentador conservador citado pela CNN lamentou que os democratas tivessem “roubado” os seus assuntos tradicionais: patriotismo e defesa nacional. E acrescentou que a convenção democrata foi centrada no país, enquanto a republicana foi centrada em Trump. A três meses e meio das eleições, é cedo para falar de vencedores. Mas esta semana, que começou titubeante, acabou por correr bem aos democratas.

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