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Liberdade, liberdade!

Dizia a minha professora primária, sempre enfurecida e pouco dada a meiguices ou sorrisos, que é preciso distinguir entre "liberdade e libertinagem". Aos seis anos, ambos os conceitos são muito vagos, muito por desconhecimento do alcance real de cada um dos vocábulos. E para que serve esta memória? Para falar de liberdade. E de Carlos Alexandre. E de Sócrates.

"Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortezmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente".

Quem disse? Sócrates, pois claro. Mas o Filósofo.

Na entrevista - exclusiva, recorde-se, já agora - à SIC, Carlos Alexandre usou da liberdade a que tem direto - antes de ser juiz é cidadão, e não o contrário - e não foi "politicamente correto" ao dizer que não tem nem nunca teve "contas em nome de amigos". Se calhar, quebrou um dos conselhos do sábio Sócrates (o filósofo) e não "ponderou prudentemente". Nem sequer se trata de "responder sabiamente", porque a pergunta não lhe foi feita. Disse, simplesmente, o que queria dizer.

Liberdade.

Durante todos estes meses, Sócrates, o cidadão, o político e o antigo estudante de filosofia tem gozado exatamente do mesmo princípio a que tem direito - a liberdade. A que tem tido, para, direta ou indiretamente, acusar juiz e procurador de o perseguirem, de o atacarem, de o maltratarem, de não terem provas, nem rumo na investigação, nem acusação formada.

Liberdade.

Carlos Alexandre tem direito a dizer o que disse, na exata medida em que Sócrates, o político, tem direito a dizer tudo o que já disse.

No fundo, trata-se de um jogo entre julgador e julgado, juiz e arguido.

Dois homens poderosos.

Voltemos a Sócrates, o filósofo: "Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado".

Ambos o devem saber. De certeza.

E como ambos são homens livres na palavra, volto a recorrer ao mestre do pensamento, Sócrates, o filósofo: "Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir".

Não me parece que haja "liberdade" de primeira e de segunda. Ou de primeira para uns e de segunda para outros.

Senão, e aí a Dona Fernanda, a minha professora primária pouco dada a meiguices, lá teria a sua razão - passa a ser libertinagem.

Mas eu, por mim, "só sei que nada sei".

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