sicnot

Perfil

Bernardo Ferrão

Opinião

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

Opinião

Mário Sem Tento

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

Paulo Portas costuma contar uma história sobre os anos de brasa da troika. Em julho de 2011, tinha acabado de chegar ao seu novo gabinete no Palácio das Laranjeiras quando ouviu pela televisão a frase que iria moldar muita da sua ação, e que se tornou num mantra.

Na tv, o então MNE ouvia Barack Obama responder sobre as finanças norte-americanas. Nessa altura, duas das maiores agências de rating ameaçavam os EUA com um downgrade. Mas Obama contra-argumentava: “Ao contrário do que as pessoas dizem, nos não somos a Grécia, nem Portugal”. Portas estremeceu. Naquele momento percebeu que Portugal entrara num filme ainda mais perigoso. Além de toda a carga negativa que chegara com a troika, ainda estávamos a ser colocados no mesmo saco da Grécia.

“Nós não somos a Grécia”, lembram-se?

Nesses anos do “ir além da troika” cometeram-me muitos erros - até o FMI reconhece agora que avaliou mal a crise portuguesa. A perda de rendimentos foi brutal. A sociedade fraturou-se de forma violenta. As reformas prometidas para o Estado nunca se fizeram. E a banca tornou-se, como estamos todos a perceber, numa perigosa bola de neve.

Apesar desta pesada herança, a direita insiste que uma das grandes conquistas da sua ação governativa passou pelo recuperar da confiança. E que a saída limpa foi o corolário do “reerguer” da nação que voltava aos mercados depois da quase bancarrota. É verdade que não nos tornámos na Irlanda, mas conseguimos (?) saltar do filme grego em que Obama, e o mundo, nos colocaram.

O problema é o caminho que temos trilhado nos últimos meses. Foi a novela do draft do OE no início do ano, foram as reversões, as sanções e as ameaças aos fundos comunitários. Mas tem sido sobretudo a má performance económica e a escalada da dívida e dos juros, associadas às exigências sem descanso da esquerda, que puseram (outra vez!) Portugal no radar internacional. E quem o diz é imprensa internacional especializada – podem não concordar com o que eles escrevem, mas as dúvidas e as interrogações estão estampadas. Preto no branco (esta semana, o Bruno Faria Lopes fez no Negócios o levantamento desses títulos).

E como se não bastasse toda esta atenção que de facto dispensávamos, o ministro das Finanças, logo ele, deu o flanco. Como pode o ministro dizer que a sua “principal tarefa” é evitar um segundo resgate? Mas há algum resgate em cima da mesa?

Sinceramente não percebo como é que Mário Centeno caiu naquela armadilha. Ainda para mais quando a própria agência Moody’s já veio esclarecer que o risco de Portugal precisar de um segundo resgate “é baixo” e que a posição de financiamento do país é “muito confortável”. Se é assim, que raio de “principal tarefa” é essa sr. ministro? Impedir um segundo resgate?

O facto é este: a Moody’s fez mais pela confiança do país do que o próprio Mário Centeno.

Um ministro das Finanças tem de estar preparado para aquelas perguntas. Se bem se lembram, ainda há poucos meses, num episódio estranho de diz-que-disse-mas-não-disse, Schauble também juntou “Portugal” e “novo resgate” na mesma frase. Mas nessa altura as Finanças foram lestas a desmentir o alemão dizendo que “não estava em consideração qualquer novo plano de ajuda financeira a Portugal”. Porque não fez o mesmo agora?

Se a pergunta da jornalista foi má, pior foi aselhice de Centeno. Já tínhamos todos percebido que os ventos não correm de feição no ministério do Terreiro do Paço, infelizmente ficámos com mais uma certeza.

  • As alterações na carta de condução que ajudam a poupar
    6:16
  • Obama diz que não fica em silêncio se os valores do país forem ameaçados
    2:26
  • George H. Bush nos cuidados intensivos e mulher também hospitalizada

    Mundo

    O antigo Presidente dos Estados Unidos da América e a sua mulher estão hospitalizados em Houston, no Texas. George H. W. Bush foi admitido no sábado, devido a um problema respiratório derivado de pneumonia, enquanto Barbara Bush entrou esta quarta-feira no hospital, por sintomas de fadiga e tosse.

  • Nevão provocou corte de energia no centro dos EUA
    1:37

    Mundo

    Uma tempestade de neve no centro dos Estados Unidos da América provocou cortes no abastecimento de eletricidade, atrasos em voos e dificuldades na circulação rodoviária. Em Espanha, a descida das temperaturas levou à emissão de avisos em 30 províncias de norte a sul do país e deixou 27.700 alunos sem aulas em Valência.

  • Cadela sobrevive após engolir faca de cozinha

    Mundo

    Na Escócia, uma história de sobrevivência, no mínimo, bicuda. Uma cadela engoliu uma faca de cozinha com mais de 20 centímetros, manteve-a dentro de si durante algumas semanas mas sobreviveu, depois de ser operada de urgência..