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Coisas que o Governo de António Costa está a fazer bem

O que o Governo do PS está a fazer bem feito com o apoio dos partidos da geringonça deve ser elogiado.

1 – A escola pública deve ser defendida. A escola privada, se quer competir com a pública, que o faça pela qualidade, não pela oferta alternativa paga pelo Estado nos mesmos sítios onde o Estado já tem estabelecimentos de ensino. Os protestos contra os contratos de associação apareceram porque o Governo cortou onde reinavam os aparelhos do PS e do PSD que dominavam a gestão dessas escolas. Assim, sem rodeios, conforme me foi dito por um destacado membro do Governo socialista.

2 – A Saúde pública deve ser defendida. Profissionais da saúde pública proclamadores da ética que discretamente empurram doentes para os seus consultórios e clínicas privadas devem ser impedidos de o fazer; contratos de fornecimento de serviços de diagnóstico, tratamento, cirurgia, construção, equipamento e gestão privada de hospitais só devem ter lugar onde o Estado não pode chegar e devem ser sistematicamente questionados no preço e na qualidade. Não devem ser pagos pelo Estado para concorrer deslealmente com o mesmo Estado. Se querem afirmar-se como alternativa verdadeira que o façam pela qualidade, como as escolas.

3 – O combate às rendas excessivas das empresas de eletricidade só peca por ser tardio. O atual Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, tem toda a razão na sua investida com o apoio do PCP e do Bloco, visando taxar as rendas das eólicas, como reconhece o ex-ministro da Indústria do PSD, Mira Amaral.

4 - A iniciativa de reutilização dos manuais escolares é altamente meritória. Foi finalmente enfrentado o lobbie de conluio entre editoras, professores e discretos interesses dentro do próprio Ministério da Educação que muito têm prejudicado o país e sacado literalmente das famílias dezenas de milhões de euros ao longo de muitos anos.

Um dia, inscrevi-me num curso de direito no ensino superior e, quando fui comprar os manuais, alguns vinham com cadernos de 16 páginas presos por cordel, alguns cadernos simplesmente faltavam e o conjunto não tinha capa nem encadernação. Comecei a investigar o mistério e logo percebi que os professores todos os anos reescreviam um ou dois capítulos para justificar a reedição, sem acrescentar nada de pedagogicamente relevante, apenas para impedir os novos alunos de pedirem os manuais emprestados aos alunos dos anos anteriores. A isto chama-se máfia. De pequena escala, mas de grande impacto no somatório do prejuízo por todo o país.

Tem razão a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, quando critica as editoras e o parecer comprado a Gomes Canotilho para apoiar a APEL e a sua posição corporativista. Está de parabéns o Ministério da Educação pela iniciativa de reutilização dos manuais que os países nórdicos, que tanto admiramos mas poucas vezes seguimos, já fazem há muitas décadas.

Sempre achei que a política económica do atual governo começa a construir a casa pelo telhado, começando por distribuir riqueza de cima para baixo em vez de a criar a partir dos alicerces.

Sempre achei que os melhores amigos dos banqueiros que cavaram a nossa desgraça coletiva são os políticos de esquerda que só sabem governar com défices cobertos a crédito, que roubam o futuro das novas gerações.

Acho que as políticas económicas e orçamentais que estão a ser seguidas não têm futuro e podem levar a um agravamento do financiamento da República se não forem corrigidas.

O que o Governo do PS está a fazer bem feito com o apoio dos partidos da geringonça, deve ser elogiado.

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