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O Orçamento que traz (mais) défice de oposição

Se em 2015 tivemos o Orçamento dos funcionários públicos, em 2016 teremos o dos pensionistas. O aumento decretado pelo governo para as pensões no próximo ano é uma medida que repõe melhores condições de vida e que, por isso, dificilmente pode ser criticada. Só se for pela confusão com as pensões mínimas que afinal – cerca de 250 mil - também vão ter um aumento extraordinário em agosto.

Com este aumento aos pensionistas, António Costa e os seus companheiros das esquerdas somam pontos junto de mais um importante setor da sociedade. Depois dos funcionários públicos - que para o ano também têm mais subsídio de refeição -, agora são os pensionistas a levar a melhor, até os mais abonados que se livram (finalmente) da CES.

Mas há mais. No início do próximo ano, o país terá a confirmação oficial de que o défice ficou pela primeira vez bem abaixo dos 3% - segundo as previsões 2016 termina com 2,4% e em 2017 fica nos 1,6%. É fácil antecipar o que tudo isto vai render no discurso do Governo. E na atitude que António Costa terá perante Bruxelas. A pressão passará a ser outra: de cá para lá. É verdade que ainda temos um "problemazinho" chamado dívida, mas até nisso os bons resultados do défice serão uma importante cartada no jogo com a Europa e com os mercados.

Ora tudo isto, mais o aliviar faseado da sobretaxa, acontece em ano de eleições autárquicas. Sim, não há coincidências. Há, sim, problemas acrescidos para a oposição. Sobretudo para Passos Coelho a quem Marcelo ainda esta semana pedia "clareza na alternativa". É verdade que Passos precisa de tempo (como aliás precisam todos, da direita à esquerda) e que não pode andar a mudar ao sabor dos remoques de Costa e da voracidade dos media. Mas parece evidente que o líder do PSD não terá vida fácil em 2016. Com tantas “benesses” governamentais, Passos precisa de corrigir o seu défice de oposição.

Este Orçamento mostra como o primeiro-ministro está a conseguir “controlar” todas as frentes. Bruxelas e os mercados podem estrebuchar, mas as metas serão cumpridas. E ao mesmo tempo, Costa pôs o PCP e o BE a alinharem no cumprimento do tratado orçamental. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa dirão agora que este não é um OE de esquerda e que o primeiro-ministro falha em não afrontar a Europa, mas essa é a lengalenga habitual que serve apenas para consumo interno dos seus partidos. As assinaturas das esquerdas estão lá. Catarina e Jerónimo não tinham, nem têm, alternativa.

Mas há um ‘se’ que se mantém. Um enorme ‘se’ que se prende com o comportamento da economia. É verdade que as previsões para o próximo ano são agora bem mais realistas, mas a chave da continuidade da governação, e da sobrevivência da coligação, está no andamento da economia. Se as coisas não melhorarem de facto, a estratégia de Costa fica em causa. A superação económica, que tarda em acontecer, tornou-se a verdadeira cola da geringonça.

É aqui que está o “diabo” que passou pelo discurso de Passos Coelho. E é nesta tecla que o líder do PSD deve apostar. Reinventando mas não transfigurando o seu discurso. Mantendo a coerência mas não caindo na repetição de uma mensagem que, como mostrava a sondagem SIC/Expresso, cativa agora menos portugueses. Já todos sabemos que este é um Orçamento de vista curtas, com tiques pré-eleitorais, de navegação à vista e sem uma estratégia de longo prazo. Também já sabemos o que Passos pensa de tudo isto, mas o que ainda não sabemos é o que é que o líder do PSD propõe de diferente.

Se o caminho é estreito para todos, para o ex-PM também o é. O PSD pode continuar a criticar os muitos impostos, ou a promessa falhada na sobretaxa ou ainda a confusão com o aumento das pensões mínimas, mas sabe que está escaldado pelo que fez quando esteve no governo. E sabe também que o clima que se vive no país, mesmo que o considere sem sustentação real, é de paz social. O país pode não estar melhor, mas as pessoas sentem-no melhor. Vivem-no melhor. Se Passos não perceber isto, não conseguirá encontrar um rumo para o seu partido. Costa apostou forte no próximo ano. E Passos, qual é o seu trunfo? Em vez de se distanciar, talvez seja altura de se integrar. A palavra consenso é muito forte, sobretudo tendo em conta as profundas divisões entre os partidos. Mas dar um passo para o diálogo, em matérias muito concretas como a Justiça ou outras, já seria um passo em frente. Nem que seja para sair do casulo e surpreender quem já nada espera dele.

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